O debate sobre ferrovias ganhou novo fôlego após a participação brasileira na InnoTrans 2026, em Berlim, maior feira do setor ferroviário e de tecnologia de transporte do mundo. Em artigo assinado por Mauricio Corte, vice-presidente de contas estratégicas da Hitachi Mobility Multimodal Solutions na América Latina, o setor aparece como peça central para aproximar pessoas, regiões e oportunidades no país.
Segundo o autor, a experiência na Alemanha reforçou a necessidade de transformar conhecimento técnico em política contínua de investimento e operação. Ele lembra que o Brasil reúne profissionais com experiência reconhecida internacionalmente, mas ainda precisa conectar infraestrutura, gestão e planejamento para que os trilhos cumpram seu papel social.
Ferrovias e o desafio de planejar para integrar
No texto, Corte afirma que construir uma linha representa apenas parte da tarefa. Para ele, também é necessário definir a quem a obra servirá, como ela se conectará aos demais modos de transporte e qual demanda poderá atender. Além disso, ele defende que o desempenho seja acompanhado ao longo do tempo para evitar investimentos que não funcionem como uma rede para o cidadão.
O autor destaca que a tecnologia deixa de ser complemento e passa a ser condição para decisões melhores. Dados confiáveis sobre demanda, oferta, pontualidade, capacidade, custos e qualidade, segundo ele, permitem ajustar serviços, coordenar conexões, avaliar resultados e prestar contas à sociedade.
Inteligência, dados e o dever público de conectar o país
Corte relaciona esse cenário ao novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo, que, em sua avaliação, reforça a importância do planejamento integrado, do acesso à informação e da transparência. Para transformar essas diretrizes em prática, ele sustenta que o poder público precisa de capacidade técnica e ferramentas de gestão.
O artigo também enfatiza a experiência do passageiro. De acordo com o autor, a integração deve aparecer em toda a viagem, desde a saída de casa até a chegada ao destino, com segurança, previsibilidade e dignidade. “Pouco importa se cada trecho pertence a uma autoridade ou a um operador diferente; a necessidade de deslocamento é uma só”, escreve.
Ao concluir, Corte afirma que o Brasil dispõe de profissionais capazes de construir esse futuro, mas ressalta que cabe ao Estado criar as condições para que infraestrutura e inteligência avancem juntas. Para ele, oferecer ao cidadão uma mobilidade verdadeiramente integrada é um direito que precisa ser concretizado e um dever público que não pode continuar adiado.
A Hitachi Mobility Multimodal Solutions, antiga Clever Devices, é apresentada no texto como referência global em Sistemas Inteligentes de Transporte, com atuação em mais de 300 cidades e soluções voltadas à digitalização da mobilidade urbana e ao apoio a operadoras e órgãos gestores no planejamento e controle de frotas em tempo real.