O desconto em carros 0 km no Brasil alcançou 8,1% em setembro, o maior patamar da série de 12 meses analisada pelo PVZ, o Estudo de Preços de Veículos Zero Km da MegaDealer, com dados da plataforma Auto Avaliar. Com isso, o preço médio efetivamente pago pelo consumidor ficou em R$ 160.224, ante R$ 174.370 sugeridos pelas montadoras. Além disso, este foi o quarto mês consecutivo de alta nos abatimentos.
O estudo também mostra que o desconto médio por unidade chegou a R$ 14,1 mil no período, enquanto o estoque permaneceu, em média, 40 dias nas concessionárias. Segundo a pesquisa, o levantamento reuniu 777.632 operações de venda de veículos 0 km nos últimos 12 meses. Em setembro, a amostra contabilizou 65.042 transações.
Desconto em carros 0 km avança em nove segmentos
Entre os 11 segmentos analisados, nove registraram aumento nos descontos. As picapes compactas lideraram o ranking, com abatimento médio de 15,7%. Na sequência, apareceram as picapes intermediárias, com 12,9%, e as picapes médias, com 10,2%. Por outro lado, os SUVs médios tiveram o menor desconto médio, de 4,7%.
O desempenho por região também variou. O Nordeste registrou o maior desconto médio regional, de 8,6%. Em seguida vieram o Sudeste, considerando Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, com 8,4%, e São Paulo, analisado individualmente, com 8,3%. Já o Norte marcou 8,1%, enquanto o Sul ficou em 7,6% e o Centro-Oeste, em 7,5%.
Montadoras e concessionárias ajustam preços e estratégia
Para Fábio Braga, Country Manager da MegaDealer, o cenário sinaliza pressão crescente sobre os preços. “Os números mostram que a pressão sobre os preços está aumentando. Quando o desconto médio chega a 8,1% e acumula quatro meses de alta, fica claro que as concessionárias e as montadoras precisam rever suas estratégias comerciais com frequência. Tem se tornado cada vez mais necessário acompanhar o que a concorrência pratica e entender até onde é possível conceder desconto sem comprometer o resultado da operação”, afirma.
J. R. Caporal, CEO da Auto Avaliar, avalia que o movimento reflete uma mudança na dinâmica competitiva do setor e exige mais cuidado na gestão de preços, estoque e rentabilidade. “Desconto alto não é, por si só, sinal de bom negócio. Ele pode ajudar a acelerar as vendas e reduzir o estoque, mas também comprime a margem e pode afetar o valor percebido do veículo. O desafio é entender quando o incentivo é necessário para ganhar competitividade e quando ele apenas transfere o problema para o resultado financeiro da operação. Em um mercado com mais marcas e opções para o consumidor, precificar bem passou a ser tão importante quanto ter o produto certo”, diz.
O PVZ, estudo da MegaDealer com dados da Auto Avaliar, acompanha os preços praticados pelas concessionárias, os descontos em relação aos valores sugeridos pelas montadoras e indicadores de desempenho do mercado de veículos novos.