O Citroën 2 CV voltou ao centro das atenções com a apresentação do 2 CV Concept no Salão do Automóvel de Paris 2026, em uma releitura contemporânea de um dos modelos mais emblemáticos da marca. Lançado em 1948 com a proposta de tornar o automóvel mais acessível, confortável, simples, robusto e econômico, o carro atravessou gerações e consolidou sua imagem como símbolo de mobilidade inteligente.
Em comunicado divulgado em São Paulo, a Citroën destacou que o novo conceito revisita esse legado sem reproduzi-lo de forma literal. A marca afirma que a proposta dialoga com as novas demandas de mobilidade e recupera elementos históricos em uma linguagem atual.
“Poucos automóveis conseguiram se conectar a tantas gerações quanto o Citroën 2 CV. Ao longo de décadas, ele foi carro de família, ferramenta de trabalho, veículo de aventura e até protagonista no cinema. Essa capacidade de se reinventar sem perder sua essência transformou o modelo em um dos maiores ícones da história da Citroën e em um símbolo de mobilidade inteligente, baseada na simplicidade, funcionalidade e versatilidade. Um legado que continua presente nos modelos da marca, desenvolvidos para acompanhar diferentes necessidades e estilos de vida dos nossos clientes”, destaca Pedro Silva, Head das marcas Citroën e Peugeot para a América do Sul.
2 CV Concept: releitura contemporânea de um clássico
A Citroën informou que levou quase um ano de pesquisas e experimentações para criar o novo conceito. O design combina referências históricas e soluções atuais, com faróis arredondados e deslocados, capô, linha curva do teto e amplos para-lamas, além de proporções, laterais e rodas mais modernas.
No interior, o carro aposta em espaço, luminosidade e conforto. A combinação de amarelo e branco, os bancos com padrão xadrez e os Easter eggs resgatam o espírito de liberdade, simplicidade e otimismo associado ao modelo original.
A marca também apresentou os esboços e desenhos que inspiraram o projeto, ressaltando que o objetivo não foi copiar o passado, mas reinterpretar sua essência para o presente.
A trajetória do 2 CV e suas versões mais marcantes
A história do modelo começou na década de 1930, com o projeto TPV (Toute Petite Voiture, ou “carro muito pequeno”). O protótipo de 1937 pesava cerca de 370 kg, trazia um único farol permitido pela legislação da época e transportava até quatro pessoas e 50 kg de bagagem, com velocidade de até 50 km/h.
Em 1939, a Citroën preparou 250 exemplares de pré-produção para o Salão de Paris, mas o evento não ocorreu por causa da Segunda Guerra Mundial. Apenas quatro unidades foram preservadas no centro de testes da marca, em La Ferté-Vidame.
O 2 CV foi apresentado oficialmente em 7 de outubro de 1948 e rapidamente ganhou espaço entre famílias, trabalhadores e pequenos empreendedores. Robusto, prático e de manutenção simples, o modelo se tornou um fenômeno popular.
Em 1951, a marca lançou a versão Furgoneta, voltada ao transporte de cargas. Depois, em 1960, veio o 2 CV Sahara 4×4, com dois motores bicilíndricos e dois conjuntos de transmissão independentes. Produzido em apenas 694 unidades entre 1960 e 1968, o modelo se tornou uma das versões mais raras da história da Citroën.
Na sequência, a marca apresentou séries especiais que reforçaram a imagem do carro ao longo das décadas. Em 1976, surgiu o 2 CV Spot, inspirado pela praia, pelas férias e pela liberdade. Já o 2 CV Charleston chegou dez anos depois com acabamento refinado e carroceria bicolor. Inicialmente limitado a 8 mil unidades, o modelo fez tanto sucesso que passou a integrar a linha regular no ano seguinte.
Em 1981, o 2 CV apareceu no cinema em “007 – Somente para Seus Olhos”, em uma perseguição ao lado de James Bond. O carro amarelo do filme inspirou a série especial 2 CV 007. Depois, vieram outras versões, como 2 CV Dolly, 2 CV Cocorico, 2 CV Marcatelo, 2 CV Ente Grün, 2 CV Bamboo e 2 CV Perrier, cada uma com características próprias e forte apelo cultural ou regional.
Ao reunir memória, design e inovação, a Citroën usa o novo conceito para reforçar a permanência do legado do 2 CV e sua influência sobre a visão de mobilidade da marca para os próximos anos.
