Na Black Friday, o principal gargalo do trânsito nas grandes cidades não está no volume de veículos de entrega em movimento, mas na disputa por vagas de carga e descarga. É o que aponta um estudo do Centro Universitário FEI, segundo o qual manobras e estacionamento irregular podem reduzir a velocidade de fluidez das ruas em até 16%.
Estudo da FEI aponta gargalo nas vagas de carga e descarga
De acordo com a pesquisa, o estrangulamento urbano se agrava quando o pico das entregas coincide com os horários de maior fluxo do transporte de passageiros. A professora de Engenharia de Produção da FEI, Nathalia Zambuzi, afirma que o problema costuma surgir menos por limitações geométricas da via e mais por perturbações em ruas que já operam no limite de capacidade.
“Tratamos a vaga para carga e descarga como um recurso escasso. O fluxo normalmente é: vaga indisponível, parada irregular, perda de faixa, queda da capacidade efetiva e atraso para todos. O que mais impacta a fluidez é o veículo parado”, destaca a especialista.
As simulações coordenadas pela docente em áreas centrais de São Paulo mostraram que a ampliação inteligente de vagas exclusivas para logística reduziu pela metade o tempo de busca dos motoristas e derrubou as ocorrências de estacionamento irregular em cerca de 64%.
Logística urbana, entregas noturnas e mini-hubs
Além da reorganização das vagas, o estudo discute outras alternativas para reduzir os impactos das entregas nas metrópoles. Entre elas, estão as entregas noturnas, que podem evitar o pico de passageiros. No entanto, a professora observa que a medida transfere parte do problema para as áreas residenciais, especialmente por causa do ruído.
“A flexibilização para o período noturno reduz significativamente o conflito com o tráfego, mas transfere o custo para as áreas residenciais, pensando principalmente no ruído gerado. A principal barreira é a adesão dos receptores, pois exige que o destinatário consiga receber à noite”, pondera Nathalia Zambuzi.
O estudo também cita os chamados Urban Consolidation Centers, ou mini-hubs descentralizados, como forma de aproximar o estoque do cliente. Ainda assim, a FEI alerta que o gargalo pode apenas mudar de lugar, indo para o entorno desses centros ou para as vias de acesso.
“Centros urbanos descentralizados reduzem distâncias e permitem o uso de veículos menores. No entanto, o gargalo pode migrar para o entorno desse hub, que vira um polo gerador de tráfego, ou para as vias de acesso, que passam a depender de veículos menores e mais numerosos. Se mal dimensionado, o sistema só troca caminhões por dezenas de utilitários nas ruas”, conclui.
O tema ganha força com o avanço das compras online. Segundo levantamento citado no material, 62% dos consumidores pretendem comprar na Black Friday em 2026, enquanto 57% planejam combinar lojas físicas e meios digitais. A pesquisa foi realizada pelo Opinion Box em parceria com a Dito.