A Bluefields anunciou a expansão do seu modelo white label e disse que pretende chegar a 500 startups aceleradas no Brasil. A iniciativa já começa em setembro com a entrada de quatro centros de inovação em Pompeia, Bauru, Assis e Araçatuba, o que deve quase dobrar a base atual de negócios em aceleração.
Modelo white label leva aceleração a novos polos
Pelo novo formato, a plataforma passa a operar sob a marca de organizações parceiras, como incubadoras, hubs, parques tecnológicos, centros de inovação e corporações. Os primeiros parceiros anunciados são o Instituto de Centro de Inovação Tecnológica da Alta Paulista (CITAP), em Pompeia; o Centro de Inovação Tecnológica de Bauru (CITeB), em Bauru; o Centro de Inovação Tecnológica de Assis (CIT), em Assis; e o Centro de Inovação Tecnológica de Araçatuba (CITA), em Araçatuba.
Com a chegada de cerca de 20 novas startups desses quatro polos, a Bluefields afirma que deve somar quase 50 negócios em aceleração em breve. A empresa trata essa entrada como a validação inicial do modelo, cuja meta de longo prazo é alcançar 500 startups aceleradas por meio de parceiros.
“Observamos uma demanda de ambientes que têm proximidade com startups e uma comunidade ativa, mas precisam de apoio para estruturar uma operação de aceleração com método, tecnologia e acompanhamento”, explica Paulo Humaitá, fundador e CEO da Bluefields. “O modelo permite que cada parceiro mantenha sua identidade e defina como deseja conduzir a relação com os negócios do seu ecossistema, enquanto a Bluefields opera todo o programa de aceleração de forma escalável.”
A iniciativa foi desenvolvida em parceria com o CITAP, ambiente formal de inovação credenciado ao Sistema Paulista de Ambientes de Inovação do Governo de São Paulo (SPAI), mantido pela Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia (FSNT), em conjunto com a Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp) e com apoio da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação de São Paulo.
Segundo Elvis Fusco, superintendente executivo da FSNT, muitos ambientes formais de inovação oferecem infraestrutura, conexões e atividades para empreendedores, mas não contam com equipe, conhecimento especializado ou recursos para desenhar e operar uma jornada contínua de aceleração. “Há um déficit de programas de incubação e aceleração de empresas de base tecnológica nos ambientes de inovação e empreendedorismo e este projeto fechará uma lacuna no ecossistema empreendedor brasileiro. Nossa meta é acelerar ainda este ano em torno de 25 startups nessas quatro regiões”, destaca Fusco.
Jornadas personalizadas com inteligência artificial
A plataforma da Bluefields foi construída com arquitetura multi-tenant, que permite atender diferentes organizações em ambientes separados e com configurações próprias. Na versão básica, os parceiros personalizam elementos como logomarca e paleta de cores. Já em configurações mais avançadas, eles também podem definir o nível de integração das startups à rede da Bluefields, incluindo participação em eventos, feedbacks customizados sobre entregáveis, acesso à comunidade e à rede de mentores.
A trilha de aceleração é definida por inteligência artificial a partir de um assessment inicial de cada startup. Com esse diagnóstico, a proposta é criar percursos compatíveis com as necessidades e com o estágio de desenvolvimento de cada negócio. Embora participem de uma comunidade comum, com atividades de peer learning e eventos, as startups seguem caminhos individualizados e em fluxo contínuo, sem turmas fechadas. Ao concluir uma etapa, cada startup recebe uma nova trilha para dar continuidade ao desenvolvimento.
“O uso da inteligência artificial busca apoiar a construção de jornadas mais aderentes ao momento de cada empresa. Em vez de reunir negócios distintos em uma mesma sequência fixa de conteúdos, o modelo considera os desafios identificados no início e permite ajustes ao longo do processo”, avalia Humaitá. “A startup recebe mentorias pelo menos uma vez ao mês, nas quais a inteligência artificial faz o match exato entre o desafio do empreendedor e o mentor mais adequado para aquele momento, além de inseri-lo em uma comunidade com empreendedores pares e que já superaram etapas semelhantes.”
De acordo com a empresa, cada parceiro pode preservar estruturas já existentes, como redes próprias de mentores, eventos e atividades presenciais. Ao mesmo tempo, passa a ter acesso às evoluções da plataforma, à rede de especialistas da Bluefields e a conexões com hubs e investidores nacionais e internacionais, incluindo o Clube de Investidores Amigos da Bluefields.
“Nosso objetivo é apoiar a ampliação da capacidade de aceleração em ecossistemas locais e regionais, respeitando a atuação de cada organização parceira. A tecnologia oferece uma base comum de operação, enquanto cada ambiente mantém suas particularidades, seus relacionamentos e sua agenda de atividades”, finaliza Humaitá.
Segundo a própria Bluefields, a empresa soma mais de 300 startups aceleradas em oito anos de história. Atualmente, 60% dessas startups seguem ativas, com faturamento de R$ 250 milhões e mais de 1.000 empregos diretos. A aceleradora afirma ainda que atende mais de 70 grandes empresas e reúne centenas de mentores, mantenedores e parceiros locais e globais.