Trem Intercidades levou a Prefeitura de Campinas a reorganizar a estrutura de espaços destinados a eventos e atividades culturais após a cessão da área da Estação Cultura para as obras do TIC Eixo Norte. A mudança, apresentada a representantes de coletivos nesta sexta-feira, 18 de setembro, busca manter a programação e o acolhimento de cerca de 80 grupos que utilizam o local.
Reorganização garante continuidade das atividades culturais
Segundo a administração municipal, a estratégia será conduzida pela Secretaria de Cultura e Turismo, em parceria com as Secretarias de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação, de Educação e de Serviços Públicos, além da Unicamp. A Estação Cultura, que pertence ao Governo Federal e é usada pela Prefeitura desde 2002 para ações culturais, terá parte da área destinada à operação ferroviária.
O espaço remanescente, a partir do saguão, continuará sob responsabilidade da Secretaria de Cultura e Turismo e seguirá voltado às atividades de grupos e coletivos culturais.
A partir de 2 de janeiro de 2027, a pasta contará com uma rede ampliada de locais para manter as atividades dos coletivos. Entre os espaços listados estão a área remanescente da Estação Cultura, o Espaço Arte e Movimento, o Teatro Bento Quirino, o CIS Guanabara, a Casa do Hip Hop e a Sala Toninhos.
Além disso, a Prefeitura informou que também disponibilizará espaços para eventos de médio e grande porte, como o Prédio do Relógio e o CIS Guanabara.
Transição será escalonada para preservar a agenda de 2026
A Secretaria de Cultura e Turismo também atuou para que a entrada das equipes do trem na área ocorra de forma escalonada, de modo a permitir a realização dos eventos já programados para 2026. A previsão contratual inicial era de entrada integral na área concedida em 14 de setembro, mas reuniões com a concessionária levaram ao pedido de um cronograma gradual.
A primeira etapa da transição começou em 14 de setembro, com a instalação do canteiro de obras e do fechamento de segurança. Até 15 de outubro, a secretaria fará a retirada gradual das equipes que ocupavam salas na Estação Cultura e liberará as áreas necessárias ao avanço do empreendimento. A entrada da concessionária TIC Trens, responsável pelas obras, está prevista para 19 de outubro.
Até o fim de novembro, a secretaria manterá acesso integral à plataforma para garantir a realização dos eventos já programados. A partir de 1º de dezembro, a TIC Trens ocupará aproximadamente metade da plataforma, na área dos fundos, em direção ao Ceprocamp. O trecho restante seguirá disponível para eventos até 31 de dezembro de 2026.
“O projeto do trem é muito bem-vindo a Campinas e representa uma oportunidade importante para o desenvolvimento do turismo, da economia criativa e da circulação de pessoas pela cidade. Ao mesmo tempo, nosso compromisso é garantir que esse avanço aconteça preservando a produção cultural que já existe na cidade. Para isso, mantemos um diálogo constante com a concessionária TIC Trens, buscando construir uma transição escalonada, com respeito aos processos e, principalmente, garantindo a continuidade das atividades culturais e dos eventos já programados”, defende a secretária de Cultura e Turismo de Campinas, Alexandra Caprioli.
Projeto prevê trem de média velocidade e integração regional
O TIC Eixo Norte será o primeiro trem de média velocidade do Brasil, com velocidade de até 140 km/h, capacidade para cerca de 860 passageiros por viagem e tempo estimado de 64 minutos no trajeto de 101 km entre São Paulo e Campinas. O edital prevê assentos marcados, além de espaços para bagagens e bicicletas, com operação estimada para 2031.
O projeto também inclui o Trem Intermetropolitano (TIM), com início previsto para 2029, além da modernização da Linha 7-Rubi. Segundo o material divulgado, a iniciativa deve beneficiar diretamente 11 municípios e cerca de 672 mil passageiros por dia, com impacto na mobilidade, na geração de empregos e na dinamização econômica da região.