Semana de Tecnologia Metroferroviária termina com mais de 1,6 mil inscritos e plano de investimentos da STM

A Semana de Tecnologia Metroferroviária chegou ao fim nesta sexta-feira, 4 de setembro de 2026, em São Paulo, com destaque para a apresentação do plano de investimentos da Secretaria dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo (STM) e para o balanço da 32ª edição do evento, que reuniu mais de 1,6 mil inscritos.

O encerramento ocorreu no Nikkey Palace Hotel, na Liberdade, durante o último painel promovido pela Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô (AEAMESP). No encontro, Alberto Epifani, coordenador de Planejamento e Gestão da STM, detalhou projetos de expansão da rede e o planejamento dos sistemas de média e alta capacidade para as próximas décadas.

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  • STM aponta expansão, integração e novos investimentos

    Epifani afirmou que a Região Metropolitana de São Paulo gera cerca de 36 milhões de viagens por dia e que os sistemas sob responsabilidade do Estado ampliam sua participação nos deslocamentos. Segundo ele, a rede estruturada de alta capacidade reúne atualmente 15 linhas, 393 quilômetros de extensão, 188 estações e transporta aproximadamente 8,5 milhões de passageiros por dia útil.

    O coordenador ressaltou que a expansão e a modernização desses sistemas dependem de investimentos contínuos e previsíveis. “É preciso investimento e é preciso que ele seja constante ao longo de todo o período para viabilizar os processos. As externalidades positivas geradas pelos sistemas operados pelo Metrô e pela CPTM são superiores aos R$ 20 bilhões anuais necessários para executar o plano nacional”, afirmou.

    Entre os empreendimentos em andamento, ele citou a extensão da Linha 2-Verde, a implantação da Linha 6-Laranja, o prolongamento da Linha 4-Amarela até Taboão da Serra, as expansões da Linha 15-Prata e o corredor BRT-ABC. O conjunto deve acrescentar 30 quilômetros de trilhos, 17 quilômetros de BRT, 27 estações, 16 paradas e três terminais, com previsão de atendimento a mais 1,8 milhão de passageiros por dia útil.

    Epifani também informou que o Estado está adquirindo 44 novos trens, em um investimento de aproximadamente R$ 3 bilhões. Além disso, apresentou projetos futuros, entre eles as linhas 19-Celeste e 20-Rosa e as ligações ferroviárias regionais entre São Paulo, Campinas, Sorocaba, Santos e São José dos Campos.

    Semana de Tecnologia Metroferroviária destaca IA, trens regionais e balanço final

    A programação da tarde também reuniu painéis sobre inteligência artificial, mobilidade ativa, acessibilidade e serviços ferroviários de passageiros. Um dos debates mais destacados foi o painel “Os Impactos da Inteligência Artificial na Operação dos Sistemas Metroferroviários”, que discutiu como a tecnologia pode tornar as operações mais eficientes, seguras e ágeis.

    No Auditório Principal, o painel “Novos Serviços para Trens de Passageiros: Trens Regionais e de Alta Velocidade – Desafios e Perspectivas” abordou possibilidades de implantação e expansão de serviços ferroviários capazes de conectar cidades e regiões metropolitanas. Antes dele, outro encontro tratou dos “Trens Turísticos: Desafios e Perspectivas”, com foco no potencial do transporte ferroviário para estimular o desenvolvimento regional e o turismo.

    O balanço final apontou mais de 1,6 mil inscritos, 58 palestras técnicas, 33 sessões especiais, 95 palestrantes – entre eles três convidados internacionais – e 256 sínteses de trabalhos submetidas ao comitê de seleção. A programação foi organizada em três eixos: a feira Metroferr, a produção técnica e os painéis estratégicos sobre políticas públicas, planejamento e futuro do transporte.

    Durante a sessão solene de encerramento, o presidente da AEAMESP, Ayrton Camargo e Silva, afirmou que o setor compartilha um mesmo compromisso com a excelência técnica. “É como se não houvesse uma fronteira separando o Metrô, a CPTM e as empresas privadas, porque todos temos o mesmo DNA: dar o nosso melhor para a boa técnica, sabendo que a população, a cidade, o meio ambiente e a competitividade da economia ganharão com isso”, declarou.

    Ele também destacou três planos apresentados no evento: o programa do Ministério dos Transportes para ampliar a infraestrutura ferroviária de cargas até 2050, o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana do BNDES e o planejamento ferroviário apresentado para o Estado de São Paulo. “Esperamos que sejam planos de Estado, e não apenas de governo”, concluiu.

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