A OMR Componentes Automotivos reduziu em 67,7% a pegada de carbono na produção de mangas de eixo para a Stellantis, antecipando em cinco anos a meta de descarbonização prevista para 2030. O resultado veio do Projeto Carbon Value, que também levou a empresa à final da categoria Inovação Colaborativa do Prêmio Automotive Business 2026.
Segundo a companhia, a iniciativa combinou economia circular, eficiência energética, uso de energia renovável certificada, otimização de processos e controle de emissões fugitivas. Além disso, o projeto reinseriu 23.469 toneladas de sucata geradas pela própria Stellantis na cadeia produtiva, com reaproveitamento pela SADA Siderurgia e pela OMR na fabricação de novos componentes.
Projeto Carbon Value amplia a estratégia de descarbonização
A origem do projeto esteve em uma demanda da Stellantis, que passou a solicitar, já nos processos de cotação, informações detalhadas sobre as emissões dos componentes fornecidos. A partir disso, a OMR estruturou uma metodologia permanente, rastreável e comparável para medir as emissões dos produtos ao longo de toda a cadeia de valor.
“A partir de uma demanda do cliente, conseguimos olhar para toda a cadeia e transformar a descarbonização em uma frente concreta de atuação. O projeto mostra que sustentabilidade e eficiência industrial podem caminhar juntas, com resultados que passam a ser medidos, acompanhados e ampliados. Mais do que compensar emissões, nosso objetivo foi atuar na redução e na circularidade dos materiais, criando uma metodologia aplicável a outros produtos e processos”, afirma Fabio Candian, diretor comercial da empresa.
De acordo com a OMR, considerando um volume de 235.987 peças, as ações implementadas evitaram aproximadamente 115,67 toneladas de CO₂e. Depois disso, restaram 55,28 toneladas de CO₂e em emissões residuais, que foram integralmente compensadas. Com isso, o lote fornecido à Stellantis alcançou saldo líquido zero de carbono.
Reconhecimento no setor automotivo e base para novos produtos
A empresa afirma que o Carbon Value vai além de um projeto de compensação. Na prática, a iniciativa estabelece uma lógica de descarbonização baseada em três etapas: reduzir as emissões, mensurar e comprovar os resultados e, só então, neutralizar o que não for possível eliminar.
Além disso, a metodologia criada abre caminho para a continuidade das ações e para a possível aplicação em outras famílias de componentes. Pelo caráter integrado da solução, o projeto figura entre os finalistas do Prêmio Automotive Business 2026, na categoria Inovação Colaborativa.
A OMR Componentes Automotivos foi criada em 1999, em Sete Lagoas (MG), como joint venture com o Grupo SADA. A empresa produz blocos de motor, cabeçotes, tampas de cabeçote, volantes, caixas de câmbio, suportes união, discos e tambores de freio, montantes, cárteres e outros itens destinados a montadoras presentes no Brasil.
Já o Grupo SADA reúne mais de 30 empresas em diferentes segmentos, com destaque para logística e transporte de veículos zero-quilômetro. O conglomerado informa atuação em mais de 50 cidades brasileiras, além de operações na Argentina e no Uruguai.