Mobilidade reimaginada é o conceito que a Hitachi defende para o futuro do transporte urbano, segundo o relatório lançado durante a InnoTrans 2026, em Berlim. O estudo afirma que a mobilidade deixará de ser vista como um conjunto de modais isolados e passará a funcionar como um sistema integrado e conectado, com jornadas mais fluidas e apoio crescente de inteligência artificial, gêmeos digitais, automação e infraestrutura conectada.
O relatório “Mobilidade Reimaginada” reúne visões de líderes globais de tecnologia, transporte e meio acadêmico sobre a evolução do setor até 2050. A pesquisa se baseia em entrevistas aprofundadas com 36 líderes de diferentes continentes e foi encomendada pela Hitachi, com investigação independente da Savanta, entre junho e julho de 2026.
Os cinco pontos centrais do estudo
O levantamento lista cinco conclusões principais. Primeiro, a mobilidade deve migrar de meios de transporte individuais para sistemas totalmente integrados. Depois, o setor ferroviário aparece como a espinha dorsal do futuro, por ser apresentado como a solução capaz de sustentar redes de alta capacidade e de baixo impacto ambiental.
Além disso, o estudo aponta que a inteligência artificial deve gerar seus maiores ganhos na operação das redes, sobretudo em manutenção preditiva, gestão de tráfego e otimização energética. O relatório também destaca o papel transformador de gêmeos digitais e da IA Física, que devem permitir otimização contínua. Por fim, o documento avalia que a tecnologia avança mais rápido do que a governança, o que torna essencial a transformação institucional.
“À medida que os sistemas de transporte evoluem rapidamente, impulsionados pela urbanização e pelas mudanças climáticas, entender como a mobilidade precisa se desenvolver nunca foi tão importante”, afirmou Giuseppe Marino, CEO da Hitachi Rail. “Com este relatório, reunimos décadas de experiência ferroviária e capacidades digitais de ponta para definir uma visão prática para a mobilidade em 2050”.
Ele acrescentou que as redes do futuro dependerão da integração inteligente entre ferrovias, tecnologia digital e infraestrutura. “As maiores oportunidades estão na conexão entre dados, infraestrutura e IA para criar sistemas de transporte mais inteligentes, resilientes e sustentáveis”, disse.
Mobilidade reimaginada e o papel da tecnologia
O relatório também reforça a colaboração entre operadoras de transporte e empresas de tecnologia. Segundo o material, tecnologias já conhecidas, como IA física, edge computing e gêmeos digitais, devem impulsionar a próxima fase da mobilidade, em vez de soluções totalmente inéditas. Com isso, as redes de transporte poderão prever, otimizar e aprimorar operações em tempo real.
O estudo ainda aponta que, até 2050, os sistemas devem ficar mais autônomos, embora mantenham supervisão humana para assegurar segurança, confiança e responsabilidade. Além disso, o documento chama atenção para a necessidade de investimentos em infraestrutura resiliente diante das mudanças climáticas, da urbanização e da incerteza geopolítica.
A Hitachi informou que o material completo está disponível em seu site. A empresa também destacou a atuação da Hitachi Mobility Multimodal Solutions, antiga Clever Devices, com presença em mais de 300 cidades e foco em sistemas inteligentes de transporte e digitalização da mobilidade urbana.
O relatório foi apresentado na InnoTrans 2026, realizada em Berlim, e chega em um momento em que o setor discute como construir redes mais eficientes, sustentáveis e integradas para as próximas décadas.
