Mobilidade corporativa entrou de vez na estratégia de descarbonização de companhias que passaram a medir as emissões do trajeto casa-trabalho como parte dos indicadores de Escopo 3. Segundo a BUSUP, a mudança reflete a busca por dados mais completos sobre emissões evitadas e maior transparência nos relatórios ESG.
Deslocamento diário ganha peso nas metas ESG
Embora fique fora das operações diretas das empresas, o deslocamento dos colaboradores passou a chamar atenção por representar uma parcela relevante das emissões indiretas. Com metas climáticas mais rigorosas e pressão crescente por transparência, organizações ampliaram o monitoramento de fontes classificadas como Escopo 3 pelo GHG Protocol.
De acordo com a BUSUP, a capacidade de acompanhar indicadores como ocupação dos veículos, consumo de combustível e quilometragem percorrrida transformou o transporte fretado em uma fonte importante de dados para relatórios ESG e metas climáticas.
Os resultados observados pela empresa ajudam a dimensionar esse impacto. Segundo a companhia, cada passageiro transportado economiza 4,83 quilos de CO₂, o que representa uma redução de 75% nas emissões em comparação com o deslocamento individual por automóvel.
No Brasil, esse debate ganha força porque o carro ainda lidera o deslocamento para o trabalho. Dados do Censo 2022 do IBGE mostram que 22,6 milhões de brasileiros usam automóvel para chegar ao emprego, o equivalente a 32,3% das pessoas que se deslocam para trabalhar.
Indicadores de emissões reforçam a mobilidade corporativa
Para Danilo Tamelini, cofundador e presidente LATAM da BUSUP, a pauta avançou porque as empresas perceberam que parte relevante de suas emissões está fora dos limites diretos da operação.
“A mobilidade corporativa passou a ocupar um espaço mais estratégico nas agendas ESG porque as empresas perceberam que parte relevante de suas emissões está fora dos limites diretos da operação. O deslocamento diário dos colaboradores é um exemplo disso. Quando as organizações conseguem medir esse impacto, elas passam a incorporar a mobilidade como uma alavanca concreta para avançar em suas metas de descarbonização e dar mais transparência aos seus compromissos ambientais”, afirma.
Segundo ele, o transporte corporativo compartilhado também pode reduzir até 120 quilômetros da extensão dos congestionamentos registrados em uma manhã de dia útil no estado de São Paulo. Além disso, enquanto um motorista de veículo utilitário emite, em média, 6,56 quilos de CO₂ por dia, usuários atendidos pelo modelo da BUSUP geram cerca de 1,73 quilo.
“As empresas estão ampliando o monitoramento das emissões indiretas e percebendo que a mobilidade faz parte dessa equação. O deslocamento diário dos colaboradores representa uma oportunidade real de redução de carbono, com indicadores concretos e impacto perceptível em um horizonte relativamente curto”, diz Tamelini.
De acordo com o executivo, a demanda já aparece no relacionamento com clientes. “Muitos dos nossos clientes, como O Boticário e Mercado Livre, solicitam regularmente indicadores relacionados à sustentabilidade e às emissões evitadas com o transporte compartilhado”, afirma.
A BUSUP atua como plataforma global de gestão para mobilidade corporativa, com presença em sete países e operação no Brasil desde 2018. A empresa atende marcas como Amazon, Mercado Livre e JBS, movimenta cerca de 90 mil passageiros por dia e conta com rede de mais de 190 empresas de transporte parceiras.