Estudo sobre limites de velocidade revela como motoristas percebem o trânsito

Um estudo da Fundación Mapfre com a POLI-USP e a UFPR sobre limites de velocidade aponta que, embora o motorista brasileiro valorize a segurança, a pressão do trânsito, a pressa do dia a dia e o medo de atrasos ainda influenciam comportamentos de risco nas ruas.

A pesquisa ouviu 1.540 condutores de diferentes regiões do país e buscou identificar as motivações que moldam percepções sobre sinalização e velocidade no trânsito. O trabalho, intitulado “Velocidade em áreas urbanas e segurança viária: evidências sobre comportamentos, percepções e atitudes”, combinou inteligência artificial para simular cenários urbanos e modelos de psicologia comportamental para analisar escolhas e atitudes dos motoristas.

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  • O estudo contou com apoio institucional da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), vinculada ao Ministério dos Transportes. Segundo a Fundación Mapfre, a proposta é usar evidências para orientar medidas e campanhas educativas mais eficientes em segurança viária.

    “Nosso objetivo é possibilitar o desenvolvimento de medidas e campanhas educativas mais eficientes a partir dos dados e evidências e contribuir para a segurança viária no Brasil”, afirmou Fátima Lima, representante da Fundación Mapfre no Brasil.

    Evento de lançamento do estudo
    Evento de lançamento do estudo na Poli-Usp reuniu representantes do Detran-SP, estudantes e profissionais do setor de mobilidade urbana (Foto: Agência Bluez)

    Pressa, influência social e respeito às regras

    Os resultados mostram que mais de 90% dos entrevistados associam o respeito aos limites de velocidade a valores positivos, como cidadania e preservação da vida. No entanto, cerca de um terço diz que essa disposição enfraquece diante de fatores como a pressão para acompanhar o ritmo de outros motoristas, os atrasos cotidianos e a percepção de que obedecer à regra aumenta o tempo de viagem.

    O estudo também indica que a influência social tem pesos diferentes. A intenção de respeitar as normas cresce de forma mais intensa quando vem do núcleo familiar direto, como cônjuges, mães e filhos, apontado por 80% dos respondentes. Além disso, o medo de multas aparece como o principal motivo para reduzir a velocidade, citado por 90% dos entrevistados.

    Na avaliação dos pesquisadores, o motorista costuma modular a condução com mais facilidade quando enxerga benefício direto para pessoas próximas. Ainda assim, o ambiente viário e as exigências do cotidiano seguem como barreiras relevantes para a adesão integral às regras.

    Como o ambiente urbano afeta os limites de velocidade

    O levantamento mostra que o tipo de via altera fortemente o comportamento dos condutores. Em vias locais e cruzamentos, a sinalização por placas funciona melhor, sobretudo quando combinada com mini rotatórias ou lombadas. Nesses trechos, a presença de pedestres também ajuda a reduzir naturalmente a velocidade, enquanto as placas reforçam esse comportamento e tornam o fluxo mais seguro.

    Já em vias expressas largas, o motorista tende a ignorar a sinalização com mais frequência. Nesses espaços, o fluxo intenso e a própria dinâmica da via influenciam a decisão de não seguir a velocidade indicada.

    Em ruas de bairro e cruzamentos com circulação de pedestres, a indicação de velocidade pode reduzir a condução em até 10 km/h, segundo o estudo. A pesquisa cita ainda evidências usadas como referência no Reino Unido, que mostram que a redução de 48 km/h para 32 km/h diminui de 50% para 10% a probabilidade de vítimas fatais.

    Com base nesses dados, os autores defendem sinalização em ambientes que exigem mais atenção, como áreas de circulação de pedestres, e a adequação das velocidades regulamentadas à função da via. Para Cassiano Isler, professor da POLI-USP, “os resultados do estudo apontam para a importância de uma combinação entre limites de velocidade seguros e coerentes com a função das vias e para uma comunicação que dê legitimidade social às medidas e sinalizações adotadas nas cidades”.

    O estudo também dialoga com o cenário de mortalidade no trânsito. Em 2025, a cidade de São Paulo registrou 1.038 mortes em sinistros de trânsito, enquanto o estado somou 6.134 vítimas, segundo dados citados pelo texto. Além disso, o Brasil perde 61 bilhões de dólares por ano, equivalentes a 3,8% do PIB nacional, em decorrência desses sinistros.

    O relatório completo está disponível gratuitamente no Centro de Documentação da Fundación Mapfre.

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