O IBV Auto, índice do banco BV, registrou variação de -0,01% nos preços de automóveis leves usados em agosto, a menor leitura mensal desde abril de 2024. O resultado reforça a desaceleração do mercado e mostra que os preços dos usados ficaram praticamente estáveis.
Em agosto, o indicador confirmou a perda de ritmo observada em julho, quando avançou apenas 0,07%. Além disso, a alta acumulada em 12 meses recuou de 6,10% para 5,12%, enquanto o acumulado de 2026 chegou a 3,55%, ante 3,74% no mesmo período de 2025.
Mercado de usados desacelera com juros elevados e demanda moderada
Segundo o banco BV, esse comportamento reflete um cenário de juros ainda elevados, maior comprometimento da renda das famílias, aumento do endividamento e perda de força da demanda. Para Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, fatores econômicos e setoriais explicam essa mudança.
“A ligeira queda de agosto, após o avanço modesto de julho, confirma a perda de ritmo dos preços dos carros usados. A desaceleração da atividade, a Selic em patamar restritivo e a forte concorrência no mercado de veículos novos ajudam a explicar esse movimento, ainda que com alguma defasagem”, diz Padovani.
Entre os modelos que mais contribuíram para a baixa em agosto estão Ford Ka (-2,27%), Fiat Mobi (-2,06%) e VW T-Cross (-1,66%). Na outra ponta, Fiat Uno (+1,68%), VW Fox (+1,39%) e Toyota Corolla (+0,51%) registraram as maiores altas.
IBV Auto mostra diferenças regionais e forte desvalorização dos elétricos
Regionalmente, o Sul teve a maior queda em agosto, com -0,44%, seguido pelo Sudeste, que recuou 0,11%. Já o Centro-Oeste avançou 0,81%, enquanto Nordeste e Norte também tiveram altas, de 0,62% e 0,03%, respectivamente. No total, 19 dos 27 estados apresentaram alta e oito tiveram queda.
No acumulado em 12 meses, Rio de Janeiro (+6,28%), Sergipe (+6,18%) e Mato Grosso (+6,15%) lideram as altas. Santa Catarina (+3,20%) e São Paulo (+3,33%) registram os menores avanços. Como São Paulo tem peso relevante na composição do índice, a percepção de queda de preços aparece com mais força no estado do que no restante do país.
Para Jamil Ganan, vice-presidente de Varejo do banco BV, a tendência deve avançar gradualmente pelo país. “O resultado de agosto sinaliza o enfraquecimento do ciclo de alta iniciado no fim de 2025. Essa mudança acompanha, ainda que com algum atraso, a forte concorrência entre os veículos novos e a chegada de novas marcas e modelos no mercado nacional. Embora ainda existam diferenças regionais, a tendência é de disseminação da desaceleração”, disse.
Os veículos elétricos seguem como os que mais perdem valor de revenda. Entre os modelos ano 2023, a desvalorização acumulada até agosto chega a 46,15%, ante 26,36% dos híbridos e 21,72% dos veículos a combustão comparáveis. O banco BV ressalta que a amostra de elétricos ainda tem participação reduzida de modelos chineses lançados mais recentemente no país, o que limita a leitura sobre a nova geração de veículos usados.
O IBV Auto usa a base de dados do banco BV para acompanhar mensalmente a evolução dos preços de automóveis leves usados no Brasil, com recorte regional e por tipo de propulsão. O índice toma 2019 como base histórica inicial e busca medir a desvalorização de veículos a combustão, híbridos e elétricos em cestas comparáveis.
