Entregas Shopee em até 4 horas reforçam a pressão por mais agilidade no varejo brasileiro e colocam em evidência o uso de automação, integração de sistemas e inteligência artificial na logística. A mudança ocorre em um cenário de expansão do comércio eletrônico e de maior exigência do consumidor por prazos menores e operações mais previsíveis.
Velocidade nas entregas Shopee em até 4 horas desafia a operação
Segundo uma pesquisa da CNDL e do SPC Brasil, 139 milhões de brasileiros compraram pela internet no último ano. O levantamento também mostra que a insatisfação com incidentes nas compras online subiu de 20% para 27%. Além disso, o tempo máximo considerado aceitável pelo consumidor antes de gerar insatisfação é de 4,5 dias.
Esse contexto ajuda a explicar por que a experiência logística ganhou protagonismo na relação entre empresas e consumidores. A Amazon, por exemplo, informou que em 2025 entregou mais de 50 milhões de itens Prime no Brasil no mesmo dia ou no dia seguinte, ampliando a pressão sobre os demais players do setor.
Para Daniel Castello, fundador e CEO Brasil da Verzel, o desafio não se resume a ampliar frota ou estrutura física. “O que a Shopee fez foi prometer quatro horas sem construir nenhum centro de distribuição novo para isso, porque ela simplesmente conectou 4 mil lojas que já existiam e passou a confiar no estoque, no horário e na capacidade que cada uma delas informa dentro do aplicativo. E isso muda completamente a natureza do problema, porque quem tem o caminhão ou o galpão deixou de ser quem manda nessa disputa, e quem manda agora é quem consegue ter o dado certo na hora certa, e principalmente quem consegue perceber que um dado está errado antes que o cliente perceba na porta de casa”, afirma.
IA e automação ganham espaço na cadeia logística
Segundo Castello, a tecnologia precisa integrar estoque, pedidos, transporte, atendimento e roteirização em tempo real. Dessa forma, a empresa identifica restrições com antecedência e ajusta a operação antes que o problema chegue ao consumidor. Nesse processo, a inteligência artificial pode apoiar a previsão de demanda, a identificação de gargalos, a organização de rotas e a automação do atendimento.
O executivo avalia, porém, que tecnologia sem dados confiáveis não resolve o problema. “Eu vejo muita empresa comprando roteirização, chatbot e previsão de demanda, e mesmo assim continuando a entregar atrasado, porque cada ferramenta enxerga só um pedaço da operação e nenhuma enxerga o todo. Velocidade sem integração não reduz prazo, ela só transfere o atraso de um sistema para o outro e depois cobra isso em margem”, explica.
Na prática, a falta de conexão entre sistemas limita os ganhos de produtividade. Uma ferramenta de roteirização, por exemplo, perde eficiência se não recebe informações atualizadas de estoque e pedidos. O mesmo vale para o atendimento automatizado, que tende a funcionar melhor quando conversa com os dados da operação.
Castello também observa que a corrida pela velocidade logística não atende necessariamente a uma exigência generalizada de todos os consumidores. “A pesquisa da CNDL mostra que só 24% dos consumidores esperam receber em até dois dias, e a maioria aceita esperar até cinco. Isso significa que a corrida por entregar em quatro horas é uma briga entre Shopee, Amazon e Mercado Livre, e não uma cobrança do cliente comum. O varejista que copiar essa promessa sem antes descobrir se o cliente dele valoriza isso vai gastar em velocidade que ninguém pediu, e no fim vai acabar competindo só no preço”, conclui.
A Verzel, empresa brasileira de tecnologia fundada em 2018, atua com desenvolvimento digital, integração de sistemas e automação para empresas de média e alta maturidade digital. A companhia afirma trabalhar com o conceito de Força de Trabalho Nativa em IA e com a metodologia proprietária SYNAPSE AI, com foco em entregas mais rápidas e redução de custos operacionais.