Pesquisa Origem-Destino 2027 reforça o planejamento da mobilidade urbana em São Paulo

A Pesquisa Origem-Destino 2027 começa a redesenhar a forma como a Região Metropolitana de São Paulo vai analisar os deslocamentos da população e planejar sua mobilidade urbana. O Metrô contratou uma plataforma digital que permitirá coletar informações por dispositivos móveis, georreferenciar endereços visitados, armazenar dados em nuvem e acompanhar entrevistas em tempo real.

O sistema também fará a validação automática das informações e reunirá os dados em uma base única, o que deve ampliar a precisão do levantamento e acelerar a análise dos resultados. Para a Fundação Memória do Transporte (FuMTran), a iniciativa reforça a importância de preservar e interpretar registros históricos para entender a evolução da mobilidade urbana.

Dados históricos fortalecem a Pesquisa Origem-Destino 2027

Realizada tradicionalmente a cada dez anos desde 1967, a pesquisa permite comparar diferentes períodos, identificar mudanças no comportamento da população e oferecer referências para o planejamento de metrôs, trens, corredores de ônibus e outros sistemas de transporte.

“A Pesquisa Origem-Destino identifica como, por que e por onde as pessoas circulam. Com essas informações, os órgãos responsáveis podem planejar novas linhas de metrô e trem, aperfeiçoar corredores de ônibus, integrar os modais e direcionar os investimentos de acordo com as necessidades reais da população”, afirma Antônio Luiz Leite, presidente da FuMTran.

Segundo ele, a transformação dos hábitos de deslocamento em dados comparáveis ajuda a antecipar novas demandas de mobilidade. Além disso, o acompanhamento histórico oferece uma base sólida para decisões mais eficientes e alinhadas às mudanças urbanas e sociais.

Levantamento deve orientar novas decisões de transporte

A edição de 2017 da pesquisa já havia mostrado alterações relevantes no uso dos modais. Entre 2007 e 2017, as viagens com metrô como modo principal cresceram 52,9%, passando de aproximadamente 2,2 milhões para 3,4 milhões por dia. No mesmo período, as viagens de trem avançaram 52,8%, de 815 mil para 1,24 milhão.

Além disso, as viagens de táxi aumentaram 414,3%, impulsionadas pelos serviços solicitados por aplicativos. Esses dados embasaram o Plano Integrado de Transportes Urbanos (PITU 2040), que usa informações sobre os deslocamentos metropolitanos para projetar demandas, avaliar cenários e orientar propostas para a futura rede de transporte público da Grande São Paulo.

“A Pesquisa OD 2027 permitirá comparar os padrões atuais com aqueles identificados há dez anos e mostrar como a população passou a utilizar os diferentes meios de transporte. Esse acompanhamento histórico ajuda a revelar novas demandas e oferece aos gestores uma base mais segura para adaptar o sistema às transformações urbanas e sociais”, destaca Leite.

Para a FuMTran, a evolução da Pesquisa Origem-Destino também mostra que o conhecimento acumulado passou a ocupar posição central no planejamento da mobilidade brasileira. “Conhecer a trajetória dos deslocamentos é uma forma de identificar tendências, compreender mudanças no uso dos transportes e antecipar necessidades futuras. Preservar e analisar esses registros não significa apenas olhar para o passado, mas reunir informações para construir um sistema urbano mais eficiente, integrado e sustentável”, conclui o presidente da fundação.

Sobre a FuMTran

A Fundação Memória do Transporte (FuMTran) foi criada em março de 1996 pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) com a missão de preservar e divulgar a memória, a história e a cultura do transporte brasileiro em todas as modalidades. A entidade organiza, preserva e torna acessíveis registros históricos da atividade, além de contribuir para a manutenção do patrimônio histórico-cultural do país por meio da conservação da memória do transporte nos modais rodoviário, ferroviário, aquaviário e aeroviário.

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