A Uber lançou um incentivo financeiro de US$ 4 mil, cerca de R$ 21,5 mil, para motoristas que substituírem veículos a combustão por carros elétricos em algumas cidades dos Estados Unidos. Essa iniciativa surge em um momento delicado, pois cortes recentes nos créditos federais para carros elétricos ameaçam desacelerar a transição da frota e dificultar o cumprimento das metas de neutralidade de carbono da empresa.
A companhia estabeleceu o objetivo de alcançar emissão líquida zero até 2030 na América do Norte e Europa, e até 2040 no restante do mundo. Para isso, a migração de veículos convencionais para elétricos assume papel estratégico. Até pouco tempo atrás, esse movimento dependia principalmente de incentivos governamentais, que ofereciam descontos e condições especiais aos motoristas. Com a redução desses benefícios, a Uber passou a oferecer o subsídio diretamente, buscando compensar a perda dos créditos fiscais.
O programa Go Electric contempla inicialmente motoristas em Nova York, Califórnia, Colorado e Massachusetts. Para acessar o incentivo, o profissional precisa se candidatar e adquirir um veículo elétrico, novo ou usado. O valor oferecido pode ser acumulado com incentivos estaduais, reduzindo ainda mais o custo de aquisição.
Mudanças na frota de transporte por aplicativo no Brasil
No Brasil, o setor de transporte por aplicativo também passa por transformações importantes na composição da frota. Dados do Data Gaudium, núcleo de inteligência da empresa Gaudium, indicam que os veículos usados nas corridas são majoritariamente recentes, fabricados entre 2014 e 2024. A participação de modelos híbridos e elétricos cresceu de 0,8% em 2022 para 32,1% em 2025.
Os hatches representam 68,5% da frota, seguidos por sedãs (26,5%) e SUVs (3%). Apesar de 95,7% dos veículos ainda usarem combustão, o avanço dos eletrificados, liderados por modelos como o Dolphin e o Dolphin Mini, da BYD, sinaliza uma transição acelerada no país.
O subsídio da Uber pode acelerar essa mudança, embora o alcance limitado do programa restrinja seu impacto no curto prazo. A adoção de veículos elétricos depende não só de incentivos financeiros, mas também da expansão da infraestrutura de recarga, valorização do tempo de operação e viabilidade econômica para motoristas autônomos.
Iniciativas da Uber para eletrificação da frota
A Uber já estimulava a eletrificação da frota por meio de iniciativas como o Uber Green, agora renomeado Uber Electric, além de parcerias com montadoras. Um destaque é o acordo com a BYD, que prevê a operação de até 100 mil veículos elétricos na Europa e América Latina.
Esse movimento indica uma mudança estratégica: mais do que cumprir metas ambientais, a Uber busca tornar a eletrificação financeiramente viável para os motoristas, transformando a sustentabilidade em vetor de competitividade e retenção de parceiros.
Segundo Vinícius Guahy, coordenador de conteúdo e comunidade da Gaudium, “o crescimento da eletrificação na frota de aplicativos não representa apenas uma tendência tecnológica, mas uma mudança estrutural no mercado. Veículos mais novos e híbridos refletem não só a preferência do consumidor, mas também a pressão por eficiência e sustentabilidade nas operações das plataformas”.
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Desafios para a adoção de carros elétricos
O desafio principal consiste em equilibrar custos, infraestrutura e adoção, especialmente em mercados com menor apoio governamental à eletrificação. Enquanto isso, a tendência de modernização e eletrificação da frota consolida-se globalmente, impulsionando a transformação do setor de mobilidade.
Sobre a Gaudium
Gaudium, dona da Machine, é uma empresa de tecnologia criada em 2011 por Bruno Muniz e Ricardo Góes. A startup foca nos mercados de mobilidade e logística, tendo participado de dois Programas de Aceleração Scale Up da Endeavor. Em 2024, destacou-se na lista do Estadão como uma das 100 empresas mais influentes em mobilidade no Brasil. Além da Machine, a empresa controla o 55content, principal veículo sobre aplicativos de mobilidade urbana e delivery no país.
