Faixa Azul da Avenida dos Bandeirantes completa dois meses

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria de Mobilidade e Trânsito (SMT) e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), entregou o projeto-piloto da Faixa Azul da Avenida dos Bandeirantes, completamente sinalizado e em plena operação, no dia 6 de outubro. Até o dia 5 de dezembro, ou seja, decorridos dois meses da implantação, nenhuma ocorrência fatal foi registrada ao longo dos quase 17 km de extensão da via (que inclui também o trecho da Av. Affonso de E. Taunay). Trata-se de um início promissor para um projeto que tem como finalidade a redução da gravidade das ocorrências envolvendo motocicletas e, consequentemente, diminuição do número de feridos graves e óbitos.

A análise da eficácia da Faixa Azul leva em conta as características da via, os volumes de motocicletas circulando dentro e fora do espaço da faixa, a tipologia dos acidentes e o fato de as ocorrências terem gerado danos materiais ou pessoas feridas. Essa metodologia, adotada internacionalmente, propicia uma visão tecnicamente mais clara da distribuição do risco de sinistro para quem transita dentro da faixa e para quem circula fora do espaço da nova sinalização. Assim, ao invés da utilização de números absolutos, é calculada a Taxa de Severidade (métrica internacional também utilizada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT). A Taxa de Severidade atribui pesos aos acidentes pela sua importância. O acidente com danos materiais é o menos importante. Em oposição, aquele que resulta em óbito é o mais importante. Além da gravidade, os pesos são relacionados ao volume de veículos e à extensão da via analisada. Quanto menor é a Taxa de Severidade, mais segura é a via.

Aplicando essa metodologia às estatísticas desses dois primeiros meses de funcionamento, a Faixa Azul da Av. dos Bandeirantes alcançou resultados ainda mais expressivos do que aqueles aferidos na Av. 23 de Maio. A Faixa Azul da Av. dos Bandeirantes, entre 6/10 e 5/12, apresentou uma taxa de 2,29 UPS/Milhão de Motos/Km (Unidade Padrão de Severidade por milhão de motos por quilômetro). A Av. 23 de Maio registrou, de janeiro a novembro deste ano, uma taxa de 3,33 UPS/Milhão de Motos/Km.

Quando o resultado é comparado com a Taxa de Severidade das ocorrências envolvendo moto fora do espaço da Faixa Azul da própria Av. dos Bandeirantes, o contraste é ainda mais evidente. Fora da faixa a taxa é cinco vezes maior do que dentro dela: 11,38 UPS/Milhão de Motos/Km. Assim, nos primeiros dois meses de funcionamento, a Faixa Azul proporcionou muito mais segurança para os motociclistas que a utilizaram. Eles parecem ter percebido e aderiram maciçamente: 93% deles optaram por trafegar pela faixa. Ao longo dos dois primeiros meses de operação, 37.120 motos utilizaram a Faixa Azul diariamente, enquanto 2.880 transitaram fora do espaço da faixa. 

Foi observado também que, quanto mais motos estão presentes na via, maior é a utilização da faixa. Outro aspecto positivo foi a percepção de que o número de ocorrências envolvendo motociclistas está diminuindo conforme os condutores e pedestres se habituam com a presença desse novo espaço.

Nos dois primeiros meses de funcionamento da Faixa Azul na Av. dos Bandeirantes, foram registrados 29 acidentes envolvendo motos que não geraram vítimas; 21 acidentes com vítimas, sendo quatro delas graves. Não houve mortes decorrentes de acidentes envolvendo motociclistas.  

Implantação de sinalização e ações educativas

A Faixa Azul da Av. dos Bandeirantes foi implantada nos dois sentidos, entre a Marginal Pinheiros e o Viaduto Aliomar Baleeiro (este já no trecho denominado Av. Affonso de E. Taunay). São 8,5 km de extensão em cada sentido, somando 17 km de Faixa Azul no total. Diferentemente do projeto-piloto da Av. 23 de Maio, o novo trecho – autorizado pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) – está em uma via arterial, com velocidade limitada a 50 km/h, presença de 12 cruzamentos semaforizados, travessia de pedestres e alta movimentação de caminhões. Tais características tornam a via ideal para esta segunda etapa de avaliação do projeto-piloto, haja vista a presença de elementos de maior complexidade para a moderação do tráfego. 

Em razão dessas características, foi realizada a implantação de sinalização abrangente em toda a extensão do projeto-piloto. As vias receberam balizamento horizontal branco e azul, placas indicativas das posições de início e término da faixa azul e placas educativas, lembrando do uso obrigatório da seta e destacando os comportamentos seguros. Também com a autorização da Senatran, está em testes na via uma sinalização feita com tachas reflexivas e também em led azuis. O intuito é melhorar a visibilidade da Faixa Azul à noite ou quando chove.

Para aumentar as condições de segurança dos pedestres, todos os cruzamentos foram analisados, vistoriados e receberam melhorias. Foram implantados semáforos para pedestres onde antes não existia. Outra medida foi a implantação de gradis para evitar a travessia fora do lugar adequado.

A extensão da Faixa Azul foi sinalizada também com faixas de vinil, banners educativos, destacando os comportamentos necessários para a condução segura de todos. Além disso, 15 painéis móveis com mensagens variáveis e cinco fixos veiculam alertas focados na atenção redobrada aos pedestres, o respeito à velocidade regulamentada, à necessidade de sempre sinalizar antes de mudar de faixa e também a importância dos motociclistas estarem atentos à mudança de faixa dos demais veículos.

A operação da Faxia Azul da Av. dos Bandeirantes recebeu também um reforço das rondas operacionais realizadas pelos agentes de campo. São 90 profissionais, 16 motos e dez viaturas que atuam em 3 turnos ao longo do trecho, principalmente entre as 6h e 20h.

Ações educativas também vêem sendo realizadas pelas equipes do Centro de Educação de Trânsito da CET (CETET) e por meio de parcerias realizadas com entidades do setor como a que foi realizada por meio de uma Carta de Intenções da ABRACICLO. Elas visam conscientizar não somente os motociclistas, mas também os pedestres, alertando-os para o respeito à sinalização e reforçando a existência de uma faixa por onde circulam motocicletas. 

Faixa Azul da Av. 23 de Maio

Após 10 meses de operação, a Faixa Azul da Av. 23 de Maio mantém bons resultados. Ela é utilizada por 80% dos motociclistas que transitam pelo trecho do sentido Aeroporto, entre a Praça da Bandeira e o Complexo Viário Jorge João Saad. São 20.257 motos diariamente circulando pela faixa, que apresenta uma taxa de 3,33 UPS/Milhão de Motos/Km. Fora da faixa, circulam diariamente 7.214 motociclistas. A taxa para estes é de 10,26 UPS/Milhão de Motos/Km.

Entre os dias 25 de janeiro e 24 de novembro foram registradas 41 ocorrências envolvendo motos sem vítimas; 48 com vítimas, sendo seis delas com gravidade. Não foram registradas mortes. 

Prêmio Senatran 2022

Na tarde de quinta-feira, 8 de dezembro último, em Brasília, a CET de São Paulo foi laureada com o 1º lugar na Categoria VIII – Órgãos Integrantes do Sistema Nacional de Trânsito (SNT) dos Municípios do Prêmio Senatran 2022, cujo intuito é contribuir com a Nova Década Mundial de ações para Segurança no Trânsito. A conquista é um reconhecimento à qualidade do projeto-piloto da Faixa Azul, implantado nas avenidas 23 de Maio e dos Bandeirantes para reduzir acidentes e mortes de motociclistas.

Promovido pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), vinculada ao Ministério da Infraestrutura, o prêmio tem por objetivo incentivar a sociedade brasileira à produção técnica, científica e artística de trabalhos voltados ao tema segurança no trânsito. No total, são dez categorias, desde crianças de 12 e 13 anos à educação de jovens e adultos (EJA), universitários dos cursos de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo, educadores e órgãos componentes do SNT.

Clique aqui para assistir a entrega do Prêmio Senatran 2022.

Importância do projeto

Atualmente na cidade de São Paulo há 1,3 milhão de motos em circulação. A motocicleta vem ganhando destaque desde o início da pandemia, já que, por conta do isolamento social, o serviço de entregas se tornou essencial e, por consequência, o número de motos trafegando pelas vias subiu. Além disso, por seu baixo custo de manutenção, também se tornou um meio de transporte atrativo. No entanto, isso tem trazido usuários inexperientes, o que aumentou ainda mais a probabilidade de sinistros.

O resultado: o número de óbitos vem subindo a cada dia. Hoje mais de 1 motociclista morre por dia em São Paulo. Para se ter uma ideia, o número de óbitos entre motorista/passageiros é de 0,3 por dia. É por esse motivo que um projeto voltado à segurança dos motociclistas, como a Faixa Azul, é de suma importância para a segurança viária da capital. Se bem-sucedido, o projeto poderá servir como solução voltada à segurança também em outras cidades do país.