O financiamento por cartão de crédito atingiu 21,6 milhões de reais em outubro, o valor mais alto da série histórica do Banco Central

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O financiamento e o pagamento em parcelas são ferramentas cada vez mais difundidas entre a população brasileira e que apresentam muitos benefícios, se utilizadas com moderação e inteligentemente. Acontece que nem sempre contamos com o capital necessário para fazer algumas aquisições como comprar um carro, uma casa, fazer uma viagem ou pagar estudos, e a possibilidade de contratar um crédito, por exemplo, para concretizar objetivos é realmente positiva.

Ainda assim, o lado ruim da história é que, se mal controlado, o endividamento pode se tornar perigoso para o orçamento familiar, e às vezes acaba sendo bem difícil sair da roda de contas em atraso. É por isso que o Banco Central (BC) realiza pesquisas para monitorar o comportamento da população e conhecer como é que estão as finanças domésticas e o nível de dívidas delas. Da informação ministrada pela autoridade monetária destaca os valores do uso do cartão de crédito, especialmente em uma das suas modalidades mais polêmicas, o rotativo do cartão.

De acordo com o BC os brasileiros não tinham utilizado tanto o rotativo quanto agora: a modalidade atingiu os R$ 26,6 bilhões em outubro, registrando um incremento de 29,9% a respeito do mesmo período de 2019 – etapa prévia à crise do Covid-19 – e o maior valor da série histórica do Banco Central. O preocupante da situação é que esse tipo de financiamento é atualmente o mais caro do mercado.

Neste sentido, o comércio eletrônico, que na América Latina e no Brasil particularmente registrou um impacto e crescimento mais significativos do que em outras regiões do mundo, também contribuiu com o uso do cartão, pois é um dos meios mais simples de utilizar na hora de comprar numa loja virtual ou e-commerce.

Utilizar o parcelamento do cartão de crédito sempre foi caro, mas agora a diferença com outras taxas oferecidas pelos bancos é bem mais alta. Em outubro deste ano, a taxa de juro rotativo do cartão de crédito para pessoa física bateu em 343,6% ao ano, o maior patamar registrado desde setembro de 2017.

O comportamento do custo do rotativo não é isolado. Ele reflete as constantes elevações que o Copom está aplicando na Taxa Selic, ou taxa básica de juros. Ela funciona como uma taxa referencial para a totalidade dos bancos e entidades financeiras do Brasil, e é utilizada pelo Comitê de Política Monetária como uma ferramenta que influencia todas as taxas de juros do país.

A decisão de baixar a Selic, o que aconteceu até boa parte da pandemia no ano passado, chegando até o seu menor patamar da história, com 2% ao ano, faz com que tomar dinheiro emprestado seja mais barato e, por tanto, o consumo se vê estimulado. Pelo contrário, quando o Copom eleva ela, como vem acontecendo desde março deste ano, os juros cobrados no financiamento ficam mais alto, aspecto que desestimula o consumo e favorece a queda da inflação, um objetivo esperado levando em conta que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou um incremento acumulado no ano de 9,57%.

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