O novo jeito do jovem paulistano viver a noite: como as festas têm se moldado à personalidade da nova geração

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Terminal Bandeira Nova geração
Terminal Bandeira (Foto de Vanessa Bumbeers por Unsplash)

Quem conhece a capital paulista sabe que é possível encontrar de tudo e mais um pouco. A gastronomia paulistana é tão ampla quanto possamos imaginar, e está pronta para atender ao cliente, vamos dizer, em uma quarta-feira às 3 horas da manhã.

Não é difícil encontrar restaurantes, padarias e bares que funcionem durante a madrugada para receber os mais diversos perfis de clientes. Há quem diga que os consumidores paulistanos são os mais exigentes, o que resulta em um esforço enorme para atender às expectativas do freguês.

Mas algo vem se mostrando diferente nos últimos anos. A preferência por festas e reuniões em casa, em meio a diversos serviços especializados em domicílio, tem conquistado cada vez mais um público nomeadamente difícil de agradar.

É culpa da crise?

Com a previsão de PIB (Produto Interno Bruto) mais baixa dos últimos 120 anos, é inegável que estamos vivendo uma dura crise no Brasil. De acordo com os apontamentos do G1, o crescimento médio do país deve ficar em 0,9% ao ano, o que demonstra que estamos em uma situação ainda pior do que a década perdida de 1980, que teve um PIB de 1,6% ao ano. Mas há relação direta da crise ao fato do cenário incomum de entretenimento noturno paulistano?

O fato é que até mesmo os ônibus urbanos vêm perdendo passageiros. No entanto, apesar de haver a incidência da crise que assola o país, também existe um fator determinante que não adianta lutar contra. Estamos falando de uma geração que atinge, atualmente, a idade adulta e que intervém no mercado demandando que este se adapte a eles. Os famosos millenials estão torcendo o nariz para o que se considera diversão noturna nos moldes clássicos.

O perfil da geração e sua forma de consumo está exigindo dos estabelecimentos inovações para atender ao excêntrico público, que se mostra muito mais preocupado com questões como a sustentabilidade. Com gostos mais refinados e maior interesse nas origens daquilo que investem, os millenials, que hoje têm entre 18 e 35 anos de idade, têm uma clara preferência pela qualidade e pela experiência.

Logo, é possível compreender que a maneira como celebramos a vida nas noites paulistanas está sofrendo uma mudança compulsória para sobreviver aos novos tempos.

A moda é ficar em casa

O entretenimento paulistano era acostumado com jovens de alta renda, dispostos a gastar fortunas em uma noite para impressionar. Quem não se lembra do caso do “Rei do Camarote”, em 2013, com a reportagem da Revista Veja entrevistando um empresário que ilustrava os hábitos de consumo de uma geração anterior aos Millennials? Esse caso foi tão polêmico que diversos problemas jurídicos sucederam a publicação da matéria em razão da indignação coletiva dos leitores, em sua maioria, jovens.

Cansados de ambientes que ensejam a ostentação desenfreada e inconsequente, a nova forma de divertimento de muitos jovens tem sido a boa e velha sala de casa. Reunir amigos íntimos tem sido uma alternativa bastante procurada por jovens que não só preferem manter um controle do seu consumo, mas também buscam algo diferenciado e intimista.

noite paulistana
Foto de Michael Discenza por Unsplash

Serviços em domicílio

A ampliação do número de festas em casa também deve muito à proliferação de serviços especializados, desde a entrega de comida para pequenas reuniões – facilitada pelos aplicativos de mobilidade urbana que também fazem entregas – até serviços de decoração, catering, e hosting para festas mais elaboradas.

Já o entretenimento dos convidados fica a cargo da natureza do evento. A revista Veja São Paulo elencou algumas sugestões bem diferentes, como realejo personalizado, show pirotécnico com neve artificial e tocador de gaita de fole. Existem até mesmo empresas especializadas em levar o glamour de Las Vegas a sua casa, montando um cassino temporário com roletas e mesas de pôquer, por exemplo. Isso reflete a atual popularidade dos sites de apostas em cassino, como a Betway, que oferce jogos de cassino online, de backjack 21 até slot machines.

Quem gosta de fotos pode se divertir com a Photomania, um serviço que leva uma cabine fotográfica até a sua festa, colocando à disposição vários tipos de adereços para os convidados guardarem as lembranças do jeito que desejarem.

Photo by Daria Shevtsova from Pexels

É evidente que a vida noturna não vai sofrer uma morte súbita em razão desta nova tendência de mercado. As adaptações das casas noturnas têm se mostrado criativas e atrativas, mas a concorrência com as festas em casa deixou de ser apenas um detalhe para ocupar um posto de preocupação.

Independentemente da razão da comemoração, os espaços mais intimistas têm ganhado espaço versus bares e casas noturnas. Serviços especializados de buffet em domicílio têm apresentado crescimento considerável e se descortinam como tendência de mercado.

Uma coisa, no entanto, é clara: o novo cool é composto por diferentes tribos que convivem bem entre si. Nos novos tempos, não basta ter uma conta bancária de encher os bolsos, o novo status na noite é a personalidade.

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