Perspectivas para a mobilidade neste novo momento do País

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Emiliano Stanislau Affonso Neto - Presidente da AEAMESP

O Presidente da AEAMESP (Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô), Emiliano Stanislau Affonso Neto, conta as suas perspectivas para a 22ª Semana de Tecnologia Metroferroviária.

Confira:

Quiseram as circunstâncias que a 22ª Semana de Tecnologia Metroferroviária e a Metroferr Expo 2016 acontecessem poucos dias depois do início de uma nova administração federal, fato que fechou o longo processo jurídico-político de impedimento da Presidente da República, durante o qual se aprofundaram incertezas em diferentes esferas da vida nacional. Assim, pode-se dizer que o Congresso anual da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô em 2016 será um dos primeiros a avaliar as perspectivas da mobilidade urbana diante da nova realidade político-institucional, contando, para tanto, com a participação de dezenas de especialistas do País e do Exterior e de autoridades responsáveis por políticas públicas do setor.

Construído nos últimos seis meses, o programa de debates da 22ª Semana – no seu elemento mais essencial, enunciado pelo lema Investir e Avançar com Eficiência –, busca discutir alguns dos aspectos mais relevantes deste momento de crise. De um lado, as possíveis consequências da insistente retração da economia e da queda de arrecadação nos três níveis de governo sobre os projetos de sistemas estruturadores do transporte público urbano, em especial dos sistemas sobre trilhos. De outro, os caminhos disponíveis para que os projetos já existentes sejam garantidos e, efetivamente implantados no prazo, e para que novos sejam estudados e definidos.

Nos painéis centrais, estarão em discussão temas como a manutenção da eficiência e o aperfeiçoamento dos projetos dos sistemas metroferroviários, contratos de gestão, regras para aprovação e licenciamento de projetos e perspectivas de ampliação metroferroviária no País. Em sessão coordenada pela Associação Latino-Americana de Metrôs e Subterrâneos, serão desenvolvidas apresentações concernentes às melhores práticas para gestão eficiente das empresas metroferroviárias e também haverá assinatura do convênio de cooperação Associação Latino-Americana de Metrôs e Subterrâneos/Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô.

Dedicaremos espaço para o debate da integração física e tarifária e o equilíbrio dos sistemas, e discutiremos a institucionalização de regiões metropolitanas e a sua gestão e o papel do transporte ferroviário na Macrometrópole, e, ainda, trataremos de aspectos relevantes do transporte de carga por ferrovia no Brasil, dentro da visão de que os avanços nesse segmento favorecem os esforços para o fortalecimento também do transporte de passageiros sobre trilhos.

No último dia (16/09/2016), teremos cinco painéis, que focalizarão temas cruciais, como investimentos privados, fontes de recursos para implantação e operação dos sistemas metroferroviários e o que fazer para aproveitar o momento e avançar na crise. Em salas paralelas será abordada a questão do suprimento de energia elétrica para os sistemas de transporte público sobre trilhos e a recuperação de ativos ferroviários.

A programação de apresentação dos trabalhos técnicos revelará, como de costume, muita qualidade, a começar pelos 16 estudos finalistas do 3º Prêmio Tecnologia e Desenvolvimento Metroferroviários ANPTrilhos-CBTU. Também, quanto aos trabalhos técnicos, é preciso registrar uma inovação: a criação de oficinas que concentrarão as apresentações de estudos referentes a temas específicos, relacionados com diversos aspectos da tecnologia metroferroviária, o que facilitará a participação dos profissionais desses segmentos; as oficinas cobrem as seguintes áreas: Sinalização e Telecom, Meio Ambiente e Sustentabilidade, Via Permanente, Infraestrutura, Vagões, Locomotivas e Carros.

É nos momentos de crise que se abrem as oportunidades. Aproveitemos a 22ª Semana de Tecnologia Metroferroviária para traçarmos caminhos que ajudem na implantação de sistemas metroferroviários e que melhorem a mobilidade de nossas cidades e metrópoles, tornando-as eficientes e com condições de gerar mais empregos.

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