Na CPTM, mães têm carga horária menor para amamentar seus bebês até completarem 1 ano de vida

Na Semana Mundial da Amamentação, comemorada entre 1 e 7 de agosto, a iniciativa é um exemplo

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Foto: Mães Amigas

Todos os dias, a empregada Carolina Correa deixa a Estação Vila Aurora, na Linha 7-Rubi, às 20h30 e corre para a casa para amamentar o seu filho Davi, de 10 meses. A líder de estação tem direito ao benefício da CPTM, estabelecido em Acordo Coletivo, que permite duas horas diárias livres para a amamentação até os bebês completarem o primeiro ano de vida. A medida é um alívio para Carolina já que Davi não aceita outro tipo de leite e mama sob livre demanda pela manhã, à noite e, pelo menos uma vez, durante a madrugada.

O aconchego do peito da mãe por mais tempo também é usufruído por Thalles, bebê de nove meses da agente operacional Isadora Rodrigues de Souza. Ela entra no serviço às 5h, quando Thalles ainda está dormindo e, pouco tempo depois que ele acorda, já está em casa. Trabalhar perto da residência também ajuda. Ela fica na Estação Piqueri, também na Linha 7-Rubi, e mora em Pirituba.

Carolina e Isadora são uma das 522 mulheres que já se beneficiaram de programa da CPTM, que reduz em duas horas a carga horária diária visando incentivar o aleitamento materno, mesmo depois do retorno das mamães aos seus postos de trabalho. Pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), as empregas têm direito a apenas dois períodos de meia hora cada um e até os seis meses de idade do rebento.

Viviann Pinfari, chefe do DRHO (Departamento de Saúde Ocupacional Integral), ressalta que o estímulo da empresa à amamentação é uma das formas de trazer qualidade de vida para as funcionárias, além dos benefícios à saúde das crianças. A médica do trabalho Arayci Miguel complementa que a Semana Mundial da Amamentação, comemorada em entre 1 e 7 de agosto, é uma oportunidade de reforçar a importância do leite materno, que protege a criança de infecções, doenças respiratórias e desnutrição. A recomendação da OMS (Organização Mundial de Saúde) é de aleitamento exclusivo até os seis meses e, como complementação da alimentação, por até dois anos ou mais.

A imunidade foi percebida pela assessora Márcia Lage, do DRMK (Departamento de Relacionamento e Marketing). Ela teve o filho Daniel, hoje com 3 anos, na CPTM e obteve a licença-maternidade de seis meses e o benefício da redução da carga horária. O resultado é que Daniel mamou no peito até 1 ano e meio. A primeira virose chegou muito depois, aos dois anos e oito meses, logo depois dele entrar na escolinha. Já a primeira filha, Sofia, de 11 anos, acabou largando o peito pouco depois do retorno da mãe ao trabalho, em outra empresa, que não tinha programa de incentivo ao aleitamento materno. A primeira virose foi detectada aos sete meses de vida da pequena Sofia.

Valorização da mulher no ambiente de trabalho

Quando a CPTM foi criada, em 1992, o benefício para mães que amamentam foi incorporado. E, como nas demais empresas vinculadas ao governo do Estado, a licença-maternidade é de 180 dias desde que a Lei 11.770 foi sancionada em 9 de setembro de 2008.

A líder de estação Carolina reitera que a redução de duas horas é muito importante para manter a amamentação já que ficar muito tempo fora de casa pode afetar negativamente a produção do leite materno. “Além disso, no meu local do trabalho há geladeira e, se for necessário tirar o leite, poderei armazená-lo adequadamente. Graças a esses benefícios, pretendo amamentar o Davi até ele completar dois anos.”

Para Viviann Pinfari, o benefício também é importante para ajudar essas mulheres a fazer uma transição mais tranquila no momento de retomada das atividades profissionais já que a chegada de um bebê exige a criação de uma nova rotina.

Conheça algumas razões indiscutíveis para não abrir mão da possibilidade de oferecer o leite materno:

Vantagens para a mãe

• As mães que amamentam sentem frequentemente mais autoconfiança e melhor adaptação aos seus bebés;
• Dar o peito ajuda a mulher a recuperar a silhueta normal, pois consome até 800 calorias por dia (mas dá uma fome…);
• O leite materno está sempre disponível e poupa tempo e dinheiro;
• Não desperdiça recursos naturais e está sempre pronto para ser transportado e ingerido (não precisa nem aquecer);
• Os bebés amamentados são mais saudáveis, o que reduz o absentismo das mães no local de trabalho;
• Amamentar atrasa o regresso da fertilidade;
• Amamentar reduz as hemorragias pós-parto e o risco de anemia;
• A amamentação tem um efeito protetor contra o câncer de mama e de ovário e contra a osteoporose;
• A amamentação reduz o risco da mulher desenvolver síndrome metabólica (doenças cardíacas e diabetes) após a gravidez, inclusive para quem teve diabetes gestacional;
• Protege contra doenças cardiovasculares: pesquisa com 140 mil mulheres no período pós-menopausa (média de 63 anos), indicou que as que amamentaram por mais de um ano tiveram 10% menos risco de sofrer com essas doenças, se comparado com aquelas que nunca amamentaram;

Benefícios para o bebê

• O leite materno é o alimento mais completo e equilibrado, pois atende a todas as necessidades de nutrientes e sais minerais da criança até os 6 meses de idade;
• Fácil de ser digerido, provoca menos cólicas nos bebês;
• Colabora para a formação do sistema imunológico da criança, previne alergias, obesidade e intolerância ao glúten;
• Contém uma molécula chamada PSTI, responsável por proteger e reparar o intestino delicado dos recém-nascidos;
• Previne a anemia;
• A sucção ajuda no desenvolvimento da arcada dentária do bebê;
• Quando o ômega 3 está presente no leite materno, o que varia de mulher para mulher de acordo com sua alimentação, ele ajuda no desenvolvimento e crescimento dos prematuros nos primeiros meses de vida;
• Bebês que mamam exclusivamente no peito até os seis meses têm menos risco de desenvolver asma e artrite reumatoide e recebem uma proteína que combate vírus e bactérias do trato gastrointestinal;
• O momento da amamentação aumenta o vínculo entre mãe e filho e colabora para que a criança se relacione melhor com outras pessoas;

Fonte: Revista Crescer

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