Desemprego faz diminuir número de passageiros no transporte público

Os efeitos da diminuição de vagas no mercado de trabalho atingem em cheio uma quantidade enorme de atividades econômicas. A equipe de reportagem do Jornal Hoje da TV Globo mostrou as consequências do desemprego no comércio, nos serviços, na vida do trabalhador e até no trânsito.

Os congestionamentos continuam em São Paulo, mas os motoristas já perceberam que tem menos carros circulando. De acordo com a Companhia de Trânsito (CET), de manhã houve uma redução de 13% e à tarde de 14% nos congestionamentos nos últimos dois anos.

Claro que essa redução não é só por conta do desemprego, mas tem muito desempregado que está deixando o carro em casa. E, como a crise está forte, também tem menos gente comprando carro. O número de emplacamentos caiu 35% de 2014 pra cá.

Também tem menos gente circulando. Os números oficiais mostram que nos últimos dois anos, quando o desemprego em São Paulo cresceu de 11,6% para 16,8%, a quantidade de passageiros transportados nos ônibus caiu 15 milhões.

Essa situação tem um reflexo. É passageiro que não vai descer do ônibus e lembrar de deixar o sapato para consertar na sapataria, ou se encantar com a roupa nova na vitrine, entrar no restaurante para almoçar. Como o desemprego gera uma reação em cadeia, porque tira gente da rua e dinheiro de circulação da economia.

Comparando janeiro a maio de 2014 com o mesmo período desse ano, a queda é de 96 mil passageiros por dia. Os pedidos do bilhete do desempregado, que dá direito a 90 dias de viagens gratuitas, cresceram 69% nesse período.

Outro reflexo da diminuição no número de passageiros é o movimento nas lojas que ficam ao lado das estações do metrô.

O professor e economista José Pastore, um dos maiores especialistas em mercado de trabalho, diz que os reflexos do desemprego são visíveis também no transporte de cargas: “Nessa recessão que estamos agora não tem o que transportar. Isso afeta economia de modo dramático. É um setor que emprega bastante e é um setor que alimenta outros setores, que por sua vez, não tendo insumos, passam a entrar em dificuldades. O que há com o transporte urbano, há também com transporte de carga”.

Fonte: Jornal Hoje

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