Linha 13-Jade da CPTM até o Aeroporto de Guarulhos pode ficar pronta só em 2018

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Canteiro de obras na Hélio Smidt segue a todo vapor, mesmo sem verba do PAC (Foto: Sílvio Cesar)

Prometida para 2014 e depois para 2016, a entrega da Linha 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que ligará a Estação Engenheiro Goulart da Linha 12-Safira, em São Paulo, a Guarulhos, com duas estações, uma no Parque Cecap e outra no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em Cumbica, com 12 km de extensão, será no fim de 2017 ou no começo de 2018.

O segundo atraso em nove meses foi anunciado nesta segunda-feira, 31, pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), no fim da manhã desta segunda (31/8) após participar da inauguração de um novo trecho do Corredor Metropolitano Guarulhos, na Grande São Paulo. Ele culpou o governo federal por não repassar R$ 250 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para construir o ramal.

Com isso, as duas linhas do sistema metroferroviários prometidas para a Copa do Mundo de 2014, pelo ex-secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, que deviam atender os aeroportos da região vão atrasar. Isso porque também a Linha 17-Ouro do Monotrilho, que ligaria o sistema ao Aeroporto de Congonhas, na zona sul, à Estação Morumbi da Linha 9-Esmeralda da CPTM agora tem previsão de entrega para 2017.

Para Alckmin, uma linha de trem leva cerca de 4 anos para ser finalizada. “A Linha 13 foi licitada em 2012 e começou a obra em 2013. Uma linha de trem geralmente leva 4 anos, começou em 2013 e vai ficar pronta em 2017”, afirmou o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

A estação Engenheiro Goulart será reformada e ganhará mais uma plataforma, já que uma é destinada aos passageiros da Linha 12-Safira, que já existe, e outra será reservada para o trem da Linha 13-Jade. O investimento dessa primeira fase é de R$ 1,2 bilhão.

Dos 12,2 km da linha, 8 km serão elevados e passarão em cima da rodovia Ayrton Senna, do Parque Ecológico Tietê e rodovia Presidente Dutra.

Não é a primeira vez que a gestão Alckmin atribui a responsabilidade do atraso na Linha 13-Jade ao Ministério das Cidades, responsável pelas verbas do PAC. Em novembro de 2014, quando o cronograma foi alterado para 2016, o Estado usou essa justificativa. Alckmin disse ontem que não recebeu “nenhum centavo” do dinheiro previsto.

A linha 13 está orçada em R$ 2,1 bilhões e também tem aporte da gestão tucana e de outras fontes, como o Banco Europeu de Investimento (BEI). “Não recebemos nada. Estamos fazendo sozinhos, com recursos do Estado”, disse o governador.

Segundo ele, o dinheiro do PAC foi liberado em abril do ano passado por meio de um decreto publicado no Diário Oficial da União. “Nós queremos receber. É que nós não recebemos até
agora e também não sabemos quando vamos receber”, disse o governador.

O secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, acompanhou o governador e também lamentou a falta de repasse do dinheiro do PAC, afirmando que é “o
principal problema” para concluir a linha. A pasta ainda precisa licitar a parte de comunicações, energia e sinalização da Linha 13-Jade. “Infelizmente o dinheiro não veio ainda. Mas estamos atrás de alternativas porque nós precisamos licitar esses serviços e executá-los. Estamos atrás de uma solução rápida para que ainda neste ano publiquemos as licitações. Isso para que, no início do próximo ano, não só as obras civis, mas todos os serviços possam estar em andamento”, disse.

O governo do Estado ainda precisa comprar os oito trens que vão circular pela nova linha. Segundo o secretário, as composições terão bagageiros para atender os passageiros que
utilizarão a CPTM para chegar ou voltar do Aeroporto de Cumbica. A expectativa é de que 120 mil pessoas usem o futuro novo trecho diariamente. O ramal terá o sistema ATC/ATO, o mesmo usado na Linha 12-Safira, já que ambas as linhas devem operar em conjunto. A sinalização será licitada em breve.

O ministério, chefiado pelo ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), informou que, quando o dinheiro foi oferecido ao Estado, ele seria usado para aquisição de material rodante (composições). Mas São Paulo teria mudado o objeto do financiamento neste ano para a compra de sistemas de sinalização, de telecomunicações e de energia.

O ministério informa que, desde 2003, acumula “uma carteira de investimentos para o Estado de São Paulo” no valor de R$ 157 bilhões, sendo R$ 65,2 bilhões em mobilidade urbana. Já para a cidade de São Paulo, segundo a pasta, foram R$ 56,5 bilhões para mobilidade urbana.

Argumentos

A gestão Geraldo Alckmin (PSDB) rebateu as informações do governo federal. O Palácio dos Bandeirantes diz que nenhum repasse prometido para a obra saiu antes de abril de 2015. O governo afirma que a União queria analisar projetos e itens que faziam parte da obra, mas que não eram financiados com dinheiro da União.

“O ministério insistia em analisar itens que não seriam financiados pelo PAC e que já estavam sendo tocados”, diz o texto. O governo estadual pediu, então, que os processo fossem acelerados, com análise do que efetivamente era financiado pelo governo federal. “É esse pedido de aceleração que o Ministério das Cidades, talvez, por equívoco, está chamando de mudança de escopo do projeto. E que, certamente, não pode ser usado como argumento para a não liberação do recurso.”

Nota do atual secretário dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, ao jornal O Estado de São Paulo:

“A Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM) possui o maior projeto de investimentos em trilhos do Brasil: R$ 48 bilhões de reais para incorporar mais de 100 km de trilhos ao sistema em 4 anos. Tudo isso, com dinheiro do contribuinte paulista, e zero de aporte financeiro a fundo perdido, o que faz impactar negativamente nas obras em andamento. Só em relação ao PAC, aguardamos verbas de 1 bilhão, 740 milhões de reais; o Cofiex suspendeu em agosto último os processos de financiamento no País, que representa para nós 182 milhões de dólares – para citar apenas alguns – e, além disso, precisamos equacionar questões referentes à ampliações viárias, reassentamentos e desapropriações necessárias para o prosseguimento das obras, licenciamentos ambientais e novas fontes de financiamento.”

Deputado Alencar

O deputado estadual Alencar Santana Braga (PT) publicou em sua página no Facebook a informação sobre a Linha 13-Jade: “Desde a inauguração do Aeroporto Internacional, em 1985, já se previa que Guarulhos teria novamente estações de trem, um modelo de transporte que já foi realidade no município entre os anos de 1915 e 1965. A luta é para que a segunda cidade mais populosa do estado tenha novamente estações de trem. A passos lentos, segue a obra de implantação da Linha 13-Jade da CPTM, ligando a estação Engenheiro Goulart ao Aeroporto Internacional. Um projeto importante, mas que não resolve o problema de mobilidade de Guarulhos. Cobramos agilidade do governo estadual e queremos que a linha siga em frente, chegando até as regiões de Bonsucesso e Pimentas.”

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