Ciclovia da Avenida Paulista reduziu tempo de trajeto, dizem ciclistas no 1º dia útil

No primeiro dia útil após a inauguração da ciclovia da Avenida Paulista, ciclistas ouvidos pela reportagem do portal G1 disseram que o tempo do percurso realizado foi reduzido 30% em média.

Além da rapidez, os usuários ressaltaram que a segurança é a grande virtude da via exclusiva para bikes. “Tô achando bem tranquilo o caminho da minha casa até o trabalho. Até agora ninguém me fechou e nem entrou na minha frente”, afirmou a consultora de perfumaria Carla Carolina Pereira, de 29 anos. “Costumava gastar uma hora de bicicleta pedalando 17 km. Vai encurtar uns 15 minutos”, ressaltou ela que sai da Lapa, na Zona Oeste, para a região da Paulista, no Centro.

A redução de tempo também foi citada pela psicóloga Mariane Cerom, de 34 anos. Moradora do Trianon, ela vai até o trabalho na região da Vila Mariana de bike há mais de um ano. “É muito mais seguro, muito mais tranquilo, por mais que seja saudável andar de bicicleta pela cidade quando você não tem a ciclovia acaba incomodando muito mais porque ou você está incomodando os pedestres na calçada ou correndo risco no meio dos carros. Meu tempo caiu de 45 para 30 minutos pedalando. É mais rápido do que Metrô”, disse.

Com a ciclovia, a psicóloga passou a adotar novos hábitos e agora pedala ouvindo música, o que antes era impossível circulando entre os carros. “Não tem porque defender um modo sedentário, caro e que polui em detrimento de um que faz bem para a saúde”.

Do Paraíso até Vila Madalena, a designer Gisele Coutinho, de 33 anos, também usa a bicicleta para ir trabalhar. “Hoje está ótimo. Agora vai ser mais rápido. Antes tinha que andar pela calçada também para não disputar espaço com os ônibus. Eu andava 35 minutos, agora será uns 20 minutos”, disse Gisele.

Nesta manhã, o movimento na ciclovia da Paulista era intenso e o espaço era divido de forma democrática por engravatados, entregadores de mercadorias e até skatistas.

Entregador no primeiro dia útil da ciclovia da Paulista (Foto: Tatiana Santiago/G1)

O balconista de açougue Paulo José Cardoso, de 41 anos, trabalha entregando carnes para restaurantes e ficou feliz pois conseguirá otimizar seu trabalho. “Faço entrega todos os dias e antes tinha que ficar andando no meio do povo, podia atropelar e machucar alguém, agora não tem perigo. Diminuiu o tempo de entrega”, afirmou ele, que circula pela Paulista.

A ciclovia aliviou também o trabalho dos motoristas de ônibus, que não precisam mais dividir o espaço da faixa exclusiva localizada à direita da via com as bicicletas. “Melhorou. Pelo menos os ciclistas não vêm para o corredor, o que acabava atrapalhando”, disse o motorista Jairo de Lima, 41. Os acidentes graves registrados na Paulista com ciclistas nos últimos anos envolviam ônibus.

Reclamações

Alguns pedestres reclamaram do espaço da baia para a travessia e tráfego de ciclistas no canteiro central da Paulista.

“Está ruim, porque eu acabei de ser quase atropelada por um ciclista”, afirmou Camila Okada.

Já a dona de casa Inês Moreira, de 70 anos, não conseguiu atravessar a rua e ficou perdida com a ciclovia. “Eu acho que vai ter muito problema porque eu, por exemplo, achei que era só atravessar, você não vai olhar o chão que está pintado. Para as pessoas de idade acho que não é legal, deveria estar bem sinalizado”, declarou a mulher que esperava pela abertura do semáforo no local onde a preferência é dos ciclistas.

Motoboy Henrique Lemos no primeiro dia útil da ciclovia da Paulista (Foto: Tatiana Santiago/G1)

A novidade também não agradou aos motociclistas. “Atrapalha bastante porque diminuiu a faixa”, afirmou o motoboy Henrique Lemos, 29 anos.

“Para o motociclista ficou mais difícil, ficou mais estreita a faixa e a gente não consegue atravessar no meio dos carros”, Fabiano Arriara, 34 anos, bancário, que relata já ter visto acidentes na semana passada por causa da mudança.

Obra

Com 2,7 km de extensão e construída no canteiro central, a pista exclusiva está entre a Praça Oswaldo Cruz e a Avenida Angélica. A ciclovia tem quatro metros de largura e fica a uma altura de 18 cm em relação às faixas de rolamento ao seu lado.

Devido ao alargamento do canteiro central, as faixas das duas pistas, tanto no sentido Consolação quanto no sentido Brigadeiro, precisaram ser reajustadas e diminuíram a largura de 3 metros para 2,8 metros. Já a faixa de ônibus, à direita da pista, perdeu 20 centímetros, passando de 3,5 metros para 3,3 metros.

A obra, que durou quase cerca de seis meses, custou R$ 12,2 milhões aos cofres públicos, no trecho entre as avenidas Paulista e Bernardino de Campos, incluindo a instalação de dutos para a passagem de fibra ótica sob a pista. Diferentemente da maioria das ciclovias, que são pintadas com tinta vermelha, a da Paulista é feita com concreto pigmentado com coloração.

Ciclista no primeiro dia útil da ciclovia da Paulista (Foto: Tatiana Santiago/G1)
Skatistas no primeiro dia útil da ciclovia da Paulista (Foto: Tatiana Santiago/G1)

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