Trabalhadores da CPTM e do Metrô decidem suspender greve marcada para quarta-feira (27)

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Em assembléias realizadas no início da noite desta terça-feira (26/5), os quatro sindicatos dos ferroviários e o sindicato dos metroviários, optaram por negociar com intermédio do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) os valores pedidos ao Governo do Estado de SP e a Secretaria Estadual dos Transportes e suspenderam a greve que estava marcada para esta quarta-feira (27/5).

O Mobilidade Sampa acompanhou a assembléia realizada no Sindicato dos Ferroviários do Estado de SP, no centro da capital paulista, que teve início às 18h, com término pouco antes das 19h30. Ficou decidido entre os presentes e as lideranças sindicais que os mesmos vão retornar a mesa para negociar, uma vez que a CPTM voltou atrás em sua ultima decisão de não mais negociar com a categoria e aceitou conversar novamente para que haja um consenso e que a greve seja evitada.

Na próxima terça-feira, dia (2/6) as lideranças terão uma reunião no TRT às 11h30 da manhã para que sejam apresentadas propostas da CPTM e dos sindicatos em busca de um acordo no local. Após isto, às 18h haverá uma nova assembléia onde se votará a ação de greve ou não, uma vez que o estado de greve continuará como temos nesta semana com distribuição de panfletos e jornais nas estações, além do uso de coletes. No caso de uma posição desfavorável em relação as reinvidicações, no dia (3/6), uma quarta-feira, poderemos ter paralisação total das seis linhas da CPTM.

Funcionários do Metrô e CPTM adiam greve e decidem esperar negociações. Leia mais: http://bit.ly/1LFhZSr

O diretor do Sindicato dos Ferroviários de São Paulo, o senhor Adilson Alcântara nos concedeu uma entrevista. Confira abaixo:

Na imagem à esquerda Adilson Alcântara (diretor) e a direita Eluis Alves de Matos (presidente). Ambos do Sindicato dos Ferroviários de São Paulo.
Na imagem à esquerda Adilson Alcântara (diretor) e a direita Eluis Alves de Matos (presidente). Ambos do Sindicato dos Ferroviários de São Paulo.

O TRT mencionou que se houvesse greve com catraca livre, seria aplicada uma multa diária de 100 mil reais. Se não tivesse esta multa, a greve seria desta forma?
– Se nós não chegassemos ao acordo de adiar a greve para o dia 03, nós não iríamos abrir as catracas não, pois isto coloca o usuário em risco tendo um movimento paralelo ou meia boca. Paramos o sistema ferroviário ou não fazemos outro tipo de ação.

No caso de greve, existe a possibilidade de ser realizada com trechos das linhas operando parcialmente como o Metrô fez?
– Nós não copiamos nada dos metroviários, nós temos nosso projeto para os ferroviários. Temos quatro sindicatos que sentam e trabalham em conjunto e não tem esse negócio de fazer um pedacinho aqui, um pedacinho ali.

O que os ferroviários esperam do governo?
– O ferroviário espera é que o governo e o tribunal reconheçam o que estamos pedindo. Não estamos pedindo nada além do que a gente merece. Queremos igualar aos metroviários porque é assim que entendemos, já que de forma bastante consciente a assembléia definiu aguardar o processo de negociação, mas se até o dia 03 a CPTM não reconhecer esta necessidade de igualdade de salários e benefícios com os do Metrô, ai o sindicato não se responsabiliza. O trabalhador não vai ficar engolindo a seco esta situação onde o Metrô é tratado como o primo rico e o ferroviário como primo pobre.

Existe a possibilidade de um novo adiamento da greve no dia 02 de Junho?
– O trabalhador ferroviário é um trabalhador muito consciente. Em quanto estiverem abertas as negociações, estaremos as discutindo. Nós sabemos que isto é como um jogo de xadrez onde se mexe uma peça de cada vez e assim nós vamos aguardar. Se a empresa trouxer alguma proposta plausível, vamos conversar e negociar, caso contrário não restará outra alternativa a não ser a greve.

Na imagem as lideranças sindicais presentes na assembléia desta terça (27). Foto: Willian Moreira
Na imagem as lideranças sindicais presentes na assembléia desta terça (27). Foto: Willian Moreira

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