Rede de empréstimo de bike em São Paulo pode mudar com fim de convênio

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Após três anos de duração, terminou neste mês o convênio entre a Prefeitura de São Paulo e o Bike Sampa. A gestão Haddad realizará um chamamento público para empresas que queiram operar o sistema de empréstimo de bicicletas da cidade.

Mesmo com o fim do convênio, o serviço segue operando até nova decisão municipal. “Juridicamente, não podemos mais abrir novas estações sem que haja um contrato válido”, explica Luciana Nicola, superintendente de Relações Governamentais do Itaú, que opera o Bike Sampa com a empresa Serttel. “Se formos escolhidos para continuar, seguiremos com a expansão para outras regiões da cidade.”

O sistema das bicicletas laranjas soma 285 postos na cidade. A meta inicial era fixar 300 estações.

A CET não forneceu detalhes do que será exigido dos interessados em atuar no serviço. Com uma nova concorrência, surge a oportunidade de mudanças de tecnologia e entrada de novos operadores e parceiros. Bradesco, Porto Seguro, Sabesp e Unimed patrocinam ou já apoiaram iniciativas do tipo no país.

No Brasil, a Serttel domina o setor. Contudo, no exterior, há várias empresas especializadas no serviço, que se espalhou por médias e grandes cidades do mundo. Há sistemas que permitem instalar a estação sem perfurar o chão e oferecem bikes mais fortes, com rastreador e amortecedores.

As parcerias com grandes empresas também ocorrem em cidades como Nova York, Londres e Barcelona, pois ajudam a dividir custos.

Além do Bike Sampa, São Paulo conta com o Ciclo Sampa, sistema patrocinado pelo Bradesco que possui 18 estações e nenhuma integração com o serviço do Itaú. A mudança de contrato não o afeta.

O Bike Sampa foi a primeira iniciativa de empréstimo de bicicletas a atingir grande público na cidade. Até abril, havia 464 mil pessoas cadastradas, que realizam em média cerca de 40 mil viagens por mês.

A iniciativa começou na zona sul, em 2012, na esteira do sucesso da ciclofaixa de lazer. Até hoje, as estações com maior fluxo são as que ficam perto do parque Ibirapuera.

Além de atender aos ciclistas de fim de semana, o sistema é bastante usado para trajetos curtos em dias úteis, como o trecho entre o metrô e o trabalho ou a faculdade. “Pensamos o sistema para ajudar na parte final do caminho do usuário”, explica Luciana, do Itaú.

Antes do Bike Sampa, houve uma tentativa de criar um serviço de bicicletas compartilhadas em 2008. A operação era feita pelo Instituto Parada Vital e os postos ficavam junto às estações de metrô. Porém, era burocrático: o cadastro exigia cópias de comprovante de endereço e do RG. Fechou em 2012.

No Bike Sampa, registro e liberação são feitos pelo celular, mas é preciso cartão de crédito. “Essa exigência exclui muita gente que não tem cartão. Eu mesmo nunca usei por esse motivo”, diz o cicloativista André Pasqualini. Em Sorocaba, a 99 quilômetros da capital, as bicicletas podem ser liberadas apenas com o bilhete único local, por exemplo.

Outra questão é falta de integração entre ciclovias e pontos de empréstimo. Embora a localização das estações tenha sido definida em parceria com a CET, as duas estruturas nem sempre ficam próximas.

Fonte: Folha de São Paulo

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