Cadeira de rodas na escada e falta de auxílio: as dificuldades dos deficientes no transporte público

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Crédito: Elaine Freires/CBN

Plataformas cheias e pontos de ônibus lotados. Situações comuns do dia a dia no transporte público. Se as adversidades já são difíceis para qualquer um, imagine para quem tem algum tipo de deficiência. A reportagem da CBN acompanhou por duas semanas a rotina dessas pessoas.

Na Zona Leste, deixamos a casa do Leandro Xavier Lisboa, de 33 anos, no Itaim Paulista, às 6h30, com destino à região da Luz, no Centro. De carro adaptado após ficar paraplégico num acidente de moto há seis anos, ele prefere deixar o veículo numa praça próximo ao ponto final do ônibus para seguir até a estação Guaianases.

Depois do ônibus, o desafio é entrar na estação Guaianases da linha 11 da CPTM. Isso porque o caminho possui obstáculos para a cadeira de rodas de Leandro Xavier.

Leandro ainda precisa ter paciência quando passa a catraca da estação Guaianases. Não tem elevador. A única forma de acessibilidade até as plataformas é uma rampa. Para subi-la, ele precisa aguardar algum funcionário da CPTM para levá-lo até a área de embarque. ‘Tem que pedir na catraca para alguém levar pela rampa’.

Assim que pegamos o trem com destino à Luz, mais um problema. Num dos principais cartões postais da cidade, não tem elevador na saída das plataformas. O jeito é se aventurar na escada rolante. Leandro Xavier pegou prática em virar a cadeira de ré e descer se segurando pelo corrimão.

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos informou que está desenvolvendo um projeto para instalar elevadores na estação Guaianases e que as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida contam com o auxílio de funcionários para acessar as plataformas. Quanto à calçada, uma equipe da manutenção foi destacada para verificar as condições do local.

Sobre a estação da Luz, a CPTM explicou que conta com elevador de acesso apenas à plataforma 4, que leva a Linha 11-Coral-Expresso Leste Luz-Guaianases. Os demais acessos são feitos por meio de escada rolante.

O trajeto do Leandro no Itaim Paulista, Zona Leste, até a Luz, no Centro de São Paulo, dura em média duas horas todos os dias. Seguimos para outro extremo, da região Oeste para a Sul, com Edson Pereira do Rosário, de 35 anos. O revisor de livros em braile perdeu totalmente a visão aos 12 anos, depois de sofrer complicações com a retina do olho direito e desenvolver glaucoma.

Edson sai da Vila Clementino, região da Vila Mariana, onde trabalha, até o Terminal Metropolitano de Capão Redondo, na Zona Sul da capital paulista.

Para chamar o coletivo que leva ao terminal Capelinha, ele conta com a ajuda de quem está no ponto de ônibus. Combina com o motorista e o cobrador onde vai descer. Um funcionário da Socicam ou quem estiver passando, geralmente, oferece ajuda.

Depois da catraca, estudantes do programa ‘Jovem Cidadão’ conduzem pessoas com deficiências até a plataforma. Mas, para Edson Pereira do Rosário, ainda é pouco.

Aos feriados e finais de semana, os funcionários do Metrô e da CPTM auxiliam esse público.

A superlotação é constante por volta das 18h na linha 5-Lilás do Metrô até o Capão Redondo, justamente no horário que Edson faz o deslocamento. ‘Nem sempre oferecem lugar’.

Outros problemas são os assentos preferenciais, indicados para idosos, gestantes e pessoas com deficiências, que nem sempre são respeitados. Quando acompanhamos a viagem do Edson, a aposentada Teresa Dias da Silva deu um lição de cidadania aos demais passageiros. ‘Tem gente que finge que está dormindo’.

De acordo com a CPTM, das 92 estações existentes, 47 são acessíveis, das quais três são provisórias. Outras 31 são parcialmente adaptadas, pois contemplam ao menos um acesso adaptado ou nível com a plataforma, o que permite o deslocamento sem obstáculos.

Já o Metrô afirmou que todas as estações são acessíveis e os trens mais modernos contam com local para acomodação de pessoas em cadeira de rodas, sinalização sonora e visual informando o nome da próxima estação, as possibilidades de conexão, o lado de desembarque, mapas eletrônicos com o deslocamento do trem e sinalização em Braille.

A SPTrans explicou que da frota de 14.839 ônibus, 11.760 são acessíveis. Nenhum ônibus novo entra no sistema sem que seja acessível. Ainda é oferecido o Serviço de Atendimento Especial, conhecido como ‘Atende’, que tem como objetivo transportar pessoas com deficiência física com alto grau de severidade e dependência, impossibilitadas de utilizar os meios de transporte público para a realização de tratamentos médicos, estudos, trabalho e até mesmo lazer. Esse serviço é prestado a passageiros cadastrados e conta com 369 veículos adaptados.

Em nota, a Socicam e a EMTU também informaram que possuem funcionários aptos para atender pessoas com restrições e oferecem piso tátil e rampas de acessibilidade.

Fonte: Elaine Freires – CBN São Paulo

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