Prefeitura e governo federal estudam transferência da Ceagesp para área próxima ao Rodoanel

Terreno de 700 mil metros quadrados onde o entreposto está instalado poderá receber ação de desenvolvimento urbano, com criação de bairro de uso misto

A Prefeitura de São Paulo e o governo federal estudam uma parceria para transferência da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), da Vila Leopoldina, na zona oeste da cidade, para outro local, integrado com o Rodoanel. Em entrevista nesta terça-feira (31), o prefeito Fernando Haddad afirmou que o terreno de 700 mil metros quadrados, onde o entreposto atualmente está instalado, poderá receber ação de desenvolvimento urbano, com criação de bairro de uso misto.

“A Ceagesp está estudando para onde vai mudar e nós estamos estudando o que fazer com o terreno da Ceagesp. Com aquela infraestrutura, nós temos um caminho incrível de desenvolvimento urbano que destravaria o processo de ocupação da Marginal Tietê em novos moldes. O futuro de São Paulo passa pela ocupação das margens do Pinheiros e do Tietê em novos moldes”, afirmou Haddad.

Segundo o prefeito, em estudos realizados pela Prefeitura, a Ceagesp foi considerada o maior entrave ao desenvolvimento da região oeste. Outro motivo apontado para mudança é a redução no trânsito de caminhões no centro expandido da Capital. Considerado o maior entreposto comercial da América Latina em volume de vendas, a Ceagesp é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura. Atualmente, está localizado em uma Zona Predominantemente Industrial (ZPI). O processo de mudança de local foi possibilitado pela retirada do entreposto do Programa Nacional de Destatização, medida tomada pelo governo federal há cerca de dez dias.

“O deslocamento da Ceagesp para uma região onde a logística seja mais favorável à distribuição de hortifrutigranjeiros é essencial e nós vamos fomentar esta mudança, talvez para uma área próxima ao Rodoanel. Aquela área vai então passar por um processo de urbanização. O que nós queremos ali é que nasça um novo bairro com uso misto, uma nova centralidade”, disse Haddad.

A ação em estudo irá reclassificar o zoneamento do terreno, de forma a possibilitar a instalação de moradias para diversas faixas de renda, usos não-residenciais e equipamentos públicos, como parques. O projeto da nova lei de zoneamento, em discussão na Capital, deverá ser apresentado pela Prefeitura para apreciação da Câmara Municipal em maio.

O terreno seria utilizado em um projeto urbanístico com uma ou mais empresas. “O projeto é sustentável do ponto de vista econômico financeiro, porque o valor da terra da Ceagesp vai estar vinculado ao projeto de desenvolvimento urbano, sendo mais do que suficiente para construir um novo entreposto e eventualmente fazer algumas obras importantes no terreno, sobretudo de drenagem e descontaminação”, afirmou Haddad. Estima-se que o valor do terreno seja atualmente R$ 3 bilhões.

A região da Vila Leopoldina é servida atualmente por duas linhas da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), as linhas 9 (Esmeralda) e 8 (Diamante). Há também na região dois parques, o Villa Lobos e o Leopoldina Orlando Villas-Bôas.