Orçado em R$ 7,1 bilhões, monotrilho da Linha 15-Prata opera só em 2,9 km; obras pararam

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Não há filas na bilheteria ou nas catracas, muito menos camelôs nas imediações da estação. Nos trens, de tão reduzido, o número de passageiros caberia numa van.

Esse é o cenário diário no monotrilho da zona leste de São Paulo, obra do governo Geraldo Alckmin que parece um trem-fantasma se comparada a qualquer transporte público da cidade.

Os trens funcionam em esquema de testes desde agosto do ano passado, apenas das 9h às 14h e num trecho de 2,9 km entre as estações Vila Prudente e Oratório – a obra completa, estimada em R$ 7,1 bilhões, terá 18 estações.

Por uma falha no projeto, a construção de parte das estações está paralisada. Conforme a Folha revelou, engenheiros “descobriram” galerias de água que passam embaixo das futuras estações e terão de ser remanejadas.

Na última quinta-feira (26), a reportagem da Folha de São Paulo acompanhou toda a rotina da linha 15-Prata do metrô, o monotrilho, cujas obras estão atrasadas.

O trem, com sete vagões, tem capacidade para 1.002 pessoas: 122 sentadas e 880 em pé. Na prática, cada viagem reúne de 5 a 25 usuários.

Uma das poucas usuárias, a atendente Sandra Biazi, 49, usa a linha para ir ao trabalho, perto da Avenida Paulista. “Eu trabalho das 11h às 17h. Na volta (quando a linha já fechou), desço na Vila Prudente (linha 2-Verde do metrô) e ando 3 km até a Oratório, porque os ônibus estão lotados demais”.

A dona de casa Francisca Palma, 67, que costuma aproveitar o vagão quase privativo, já pensa em abandonar o monotrilho. “Quando (tudo) estiver pronto, vai vir cheio da Cidade Tiradentes, e a gente não vai nem conseguir entrar”.

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Hoje, o horário de pico do trem ocorre por volta das 9h, na abertura das estações, quando a lotação pode ultrapassar a casa das duas dezenas graças à presença de funcionários do metrô.

A impressão é que, entre uniformizados ou não, a maioria dos passageiros está a serviço da companhia.

Alguns trabalham em notebooks, outros andam de um lado para o outro fazendo anotações. De tempos em tempos, operários entram no vagão e fazem selfies.

Nas estações, há cadernos disponíveis para sugestões de passageiros sobre o serviço. Nas anotações, há queixas sobre a demora nos testes. Mas há também quem elogie o trem (“espetacular”), proteste (“fora, Dilma!”) e fale sobre suas preferências gastronômicas (“Eu gosto de bacon”).

TREPIDAÇÃO

Quem anda de metrô em São Paulo estranha o monotrilho, pelas dimensões reduzidas ou pelo maior tempo de espera (dez minutos, em média).

O que chama a atenção do contador Wagner de Oliveira, 35, é a trepidação, num trem que circula a uma altura de 12 a 15 metros. “Quando estiver em funcionamento normal e lotado, não sei se vou ter coragem. Porque, se completamente vazio, ele já treme desse jeito, imagina cheio”.

Segundo o Metrô, as oscilações são comuns em veículos que trafegam com pneus sobre concreto, como o monotrilho. A empresa defendeu o atual período de testes.

“O funcionamento das novas estações em período parcial é essencial e possibilita os ajustes finais dos equipamentos, sistemas e suas interfaces”, afirmou, em nota.

Ainda em abril, o período de operação da linha será ampliado – das 7h às 19h.

A companhia diz que, hoje, cerca de mil pessoas fazem o trajeto por dia – quando a linha estiver concluída poderá transportar 500 mil. A previsão é que mais três estações sejam entregues até 2016.

Fonte: Folha de São Paulo

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