Nos últimos cinco anos, o transporte coletivo em Campinas enfrentou sérios desafios relacionados à qualidade do serviço prestado pelas operadoras. A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) aplicou mais de 106 mil autuações entre 2021 e 2025, totalizando quase R$ 40 milhões em multas. Essas penalidades refletem falhas operacionais e descumprimento dos contratos, impactando diretamente os usuários do transporte público.
Multas operacionais e contratuais no transporte coletivo
As multas aplicadas no transporte coletivo dividem-se em duas categorias principais: operacionais e contratuais. As multas operacionais ocorrem devido a problemas que afetam diretamente o usuário, como ônibus que não param nos pontos, atrasos, falhas mecânicas que interrompem viagens e desrespeito aos horários programados. Entre 2021 e 2025, o valor dessas multas cresceu significativamente, passando de R$ 2,4 milhões em 2021 para mais de R$ 12,6 milhões em 2025. Até 10 de março de 2026, as empresas já pagaram mais de R$ 3 milhões em autuações.
Já as multas contratuais surgem quando as operadoras não cumprem exigências previstas nos contratos de concessão. Exemplos incluem a idade máxima permitida para os ônibus, a média da frota e a oferta de acessibilidade nos veículos. Esses valores são descontados diretamente do subsídio pago às concessionárias, reforçando a responsabilidade das empresas em manter a qualidade do transporte coletivo.
Nova concessão do transporte coletivo em Campinas
No dia 5 de março de 2026, a Prefeitura de Campinas realizou o leilão da nova concessão do transporte coletivo. Cinco grupos participaram da disputa, que definiu os vencedores para os lotes Sul e Norte. O lote Sul ficou com a empresa Sancetur – Santa Cecilia Turismo Ltda, que ofereceu uma tarifa de remuneração de R$ 9,54, representando um deságio de 14,90%. O lote Norte foi conquistado pelo consórcio Grande Campinas, com tarifa de R$ 9,49 e deságio de 19,30%.
As empresas vencedoras têm até 12 de março para apresentar as planilhas de valores atualizadas. Após análise e aprovação pela Comissão de Licitação, o julgamento será publicado, abrindo prazo para recursos. Essa nova concessão busca garantir melhorias no transporte coletivo, com maior eficiência e qualidade para os usuários.
Impactos das multas na qualidade do transporte coletivo
O diretor-presidente da Emdec, Vinicius Riverete, destaca que as autuações funcionam como instrumentos para exigir que as operadoras ofereçam o serviço que os usuários merecem. Ele enfatiza que é inaceitável que o passageiro não saiba se o ônibus passará no ponto ou chegará ao destino. As multas refletem a tentativa de corrigir essas falhas e garantir um transporte coletivo mais confiável e eficiente.
Além das penalidades, Campinas investe em políticas públicas para melhorar a experiência dos usuários do transporte coletivo. Um exemplo é o projeto ‘Abrigo Amigo’, que oferece segurança nas paradas de ônibus, especialmente para mulheres, com acionamento remoto de emergência via telas digitais. Desde 2023, o projeto registrou quase 3,2 mil acionamentos, reforçando o compromisso com a proteção dos usuários.
Conclusão
O transporte coletivo em Campinas enfrenta desafios significativos relacionados à qualidade do serviço, evidenciados pelas multas que somam quase R$ 40 milhões nos últimos cinco anos. As autuações operacionais e contratuais buscam garantir que as operadoras cumpram suas obrigações e ofereçam um serviço eficiente e seguro. A recente concessão do transporte coletivo e as iniciativas de proteção aos usuários indicam esforços para melhorar a mobilidade urbana e a experiência dos passageiros. Assim, o transporte coletivo permanece como um serviço essencial que demanda constante fiscalização e aprimoramento para atender às necessidades da população.
