A passagem da tuneladora Cora Coralina, conhecida como “Tatuzão”, da expansão da Linha 2-Verde do Metrô, sob o Córrego Aricanduva, representou uma das etapas mais complexas das escavações do segundo trecho entre Penha e Complexo Rapadura. Para garantir o avanço seguro da máquina em setembro de 2026, o Metrô adotou soluções de engenharia focadas na proteção das redes de utilidade pública existentes, especialmente dois grandes coletores-tronco de esgoto da Sabesp localizados sob a Avenida Aricanduva.
Desafios técnicos e soluções adotadas
A tuneladora atravessou uma área sensível a aproximadamente 10 metros abaixo do leito do córrego, onde movimentações do solo poderiam comprometer estruturas enterradas. A precaução extra envolveu os coletores de esgoto com diâmetros de 1,2 metro e 2,1 metros, responsáveis pelo transporte de grandes volumes de esgoto da Zona Leste. Para evitar instabilidades, foram implantados sistemas provisórios de bombeamento que transferiram o fluxo de esgoto entre poços de inspeção antes e depois do trecho de passagem da tuneladora.
O maior desafio concentrou-se no coletor de 2,1 metros de diâmetro. As condições locais, como solo mole, intenso tráfego na Avenida Aricanduva, grande profundidade da rede e conflito com ativos de outras concessionárias, impediram a abertura de grandes valas para instalação de tubulação auxiliar convencional. Como alternativa, a Amanco Wavin desenvolveu uma comporta especial sob medida, instalada em um dos poços de inspeção, capaz de controlar o fluxo e permitir que a própria galeria funcionasse como sistema de segurança para absorver vazões excepcionais durante chuvas intensas.
Reabilitação estrutural permanente
Além das medidas operacionais para a passagem do Tatuzão, o Metrô programou a reabilitação estrutural permanente do coletor de 2,1 metros, que permanecerá sobre o futuro túnel metroviário durante toda a vida útil do empreendimento. Para isso, adotou a tecnologia Spiral Wound Pipe Rehabilitation (SPR), da Amanco Wavin, aplicada de forma inédita em uma obra metroviária brasileira.
O método permite reforço estrutural mesmo com esgoto escoando no fundo da galeria, essencial para manter a operação do sistema sanitário. A tecnologia utiliza um equipamento robótico instalado dentro da tubulação existente, que recebe continuamente um perfil de PVC fornecido da superfície e o enrola em espiral, formando uma nova tubulação estanque e estruturalmente independente no interior da galeria original. O espaço entre as estruturas é preenchido com graute de alta resistência, criando um conjunto mais durável e resistente a movimentações do terreno.
Além de aumentar a vida útil da rede, a solução oferece vantagens hidráulicas, pois a nova superfície interna possui menor rugosidade que a tubulação de concreto original, preservando sua capacidade de transporte.

Monitoramento e segurança durante a travessia
Durante todas as etapas da travessia, foram utilizados instrumentos de monitoramento geotécnico instalados no solo, nas redes da Sabesp, no canal do córrego e em um gasoduto da Comgás existente na região. Inspeções por vídeo com equipamentos robotizados ocorreram antes e após a passagem do Tatuzão para verificar as condições estruturais das tubulações e confirmar a integridade dos sistemas.
No caso da tubulação de 1,2 metro, além dos sistemas provisórios de bombeamento, a solução contou com um desvio auxiliar por gravidade, garantindo redundância operacional durante períodos de chuva.

Tatuzão e o avanço da Linha 2-Verde
A travessia sob o Córrego Aricanduva marcou mais um avanço da expansão da Linha 2-Verde. Desde a partida na Penha, a tuneladora percorreu mais de 1 km, com a instalação de 598 anéis de concreto, encontrando-se atualmente entre a estação Aricanduva e o VSE Júlio Colaço. Somando os dois trechos de escavação da obra, o equipamento já construiu cerca de 4,7 quilômetros de túneis, consolidando o progresso rumo ao Complexo Rapadura.