Após quase quatro anos sem reajuste, a Prefeitura de Presidente Prudente, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Cooperação em Segurança Pública (Semob), anunciou a atualização no preço da tarifa do transporte coletivo urbano. Conforme publicado no Diário Oficial em 21 de outubro de 2026, o valor passará de R$ 5,00 para R$ 6,00 a partir do dia 1º de novembro.
Reajuste acompanha a evolução dos custos
A tarifa estava congelada desde janeiro de 2023. Nesse período, foram acumulados novos custos operacionais do sistema, como combustíveis, salários, encargos trabalhistas, peças, pneus, manutenção, seguros e outras despesas essenciais para manter os ônibus em circulação. Esses custos sofreram sucessivas elevações acompanhando a inflação anual. Estima-se que o município suportou, com recursos próprios, aproximadamente R$ 54 milhões em subsídios para cobrir os custos operacionais do serviço, sem qualquer reajuste na tarifa cobrada aos usuários.
Mesmo diante da elevação dos custos, a Administração Municipal continuará subsidiando a maior parte do transporte coletivo, evitando que o valor integral necessário para manter o serviço seja repassado aos passageiros.
Segundo dados da Semob, a tarifa técnica, que representa o custo efetivo do serviço, é de aproximadamente R$ 15,23 por passageiro. Com a passagem fixada em R$ 6,00, o usuário pagará cerca de 39% desse valor, enquanto a diferença, superior a R$ 9,00 por passageiro, continuará sendo custeada por recursos públicos e outras fontes.
Entre janeiro de 2023 e julho de 2026, a inflação acumulada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) foi de aproximadamente 18,3%. No mesmo período, o custo operacional por quilômetro rodado aumentou de R$ 10,07 para R$ 12,07, uma elevação de cerca de 20%.
Ministério Público questiona ausência de reajuste anual
A revisão da tarifa ocorre em meio a questionamentos do Ministério Público do Estado de São Paulo. O órgão solicitou esclarecimentos sobre a ausência de reajuste anual da tarifa pública, os motivos para a manutenção do valor, a existência de manifestações técnicas sobre a atualização e a situação financeira do sistema.
Nesse contexto, a Prefeitura considera necessário conciliar o valor cobrado dos passageiros com a evolução das despesas operacionais e a capacidade de financiamento do sistema. O subsídio municipal permanece como instrumento para reduzir o impacto da tarifa sobre a população.
Tentativa de redução dos custos operacionais
Antes de definir a atualização tarifária, a Semob avaliou alternativas para reduzir os custos operacionais, incluindo a reorganização de linhas, itinerários e horários, especialmente nos serviços com menor demanda. A proposta buscava adequar a oferta de transporte à utilização observada, reduzindo a quilometragem rodada e, consequentemente, as despesas do sistema.
A Prefeitura implementou mudanças nas linhas e horários no início de 2026 para reduzir custos, mas optou por retomar o modelo antigo após reivindicações dos usuários.
A Secretaria de Mobilidade Urbana segue estudando, de maneira contínua, novos formatos, alternativas e mecanismos de organização do serviço para atender cada vez melhor à população.
Fonte: Secretaria de Comunicação