Recarga gratuita de veículos elétricos pode servir como estratégia de fidelização para supermercados e outros estabelecimentos comerciais, mas a conta de energia exige controle. Segundo simulação da Apollo Energy, uma hora de recarga em um carregador AC de 7 kW pode custar até R$ 7 em energia, considerando uma tarifa hipotética de R$ 1 por kWh, sem incluir infraestrutura nem despesas operacionais.
Como a recarga gratuita pode funcionar no varejo
De acordo com Paulo Sergio Fernandes Junior, CEO da Apollo Energy, a oferta precisa ser tratada como investimento comercial, e não como promessa automática de aumento nas vendas. “Não basta oferecer energia gratuitamente e presumir que isso vai trazer mais clientes. O supermercado precisa entender quanto custa atrair esse consumidor, com que frequência ele retorna, qual é o ticket médio e que margem as compras geram. É essa comparação que permite avaliar se a recarga está funcionando como estratégia de fidelização”, afirma.
A proposta pode assumir diferentes formatos, como gratuidade para compras acima de determinado valor, vínculo com programas de fidelidade ou uso em horários de menor movimento. Além disso, o estabelecimento pode limitar o tempo de permanência na vaga para ampliar a rotatividade e evitar concentração de uso por um único motorista.
A Apollo Energy informa que sua plataforma permite acompanhar o consumo, controlar sessões remotamente e configurar períodos de gratuidade, o que ajuda a monitorar o impacto financeiro da iniciativa.
Mercado em expansão e exemplos já adotados
O interesse pelo tema cresce junto com a frota eletrificada. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o Brasil registrou 20.202 emplacamentos de híbridos plug-in em setembro de 2026, alta de 146,5% em relação ao mesmo mês de 2025. Quando se somam os veículos totalmente elétricos, o país chegou a 42.448 unidades, avanço de 159,4% na comparação anual.
No cenário simulado pela empresa, cinco sessões completas de uma hora por dia representariam até R$ 1.050 mensais em energia para um supermercado, enquanto dez sessões diárias elevariam esse valor para R$ 2.100. Os cálculos consideram 30 dias de operação e não incluem compra dos equipamentos, instalação, manutenção nem outras despesas operacionais. O consumo efetivo também varia conforme a potência aceita pelo veículo e as condições de carregamento.
A oferta não é inédita no varejo. Em 2023, o Assaí Atacadista informou ter ultrapassado 9.700 sessões de carregamento em pontos disponibilizados aos clientes. Já em março de 2026, a General Motors anunciou uma campanha em parceria com a rede Frango Assado, que combinava carregamento gratuito para veículos totalmente elétricos e vouchers de consumo no restaurante. As experiências mostram usos comerciais diferentes, mas não comprovam, isoladamente, aumento de vendas ou fidelização.
Outro fator que favorece esse debate é a expansão da infraestrutura. Levantamento da ABVE em parceria com a Tupi Mobilidade identificou 29.866 pontos públicos e semipúblicos de recarga no Brasil em agosto de 2026, alta de 76,9% em um ano. Desse total, 18.469 operavam em corrente alternada (AC), modalidade mais adequada a períodos longos de estacionamento, como durante compras.
“A recarga pode ser um motivo adicional para o cliente escolher uma loja, mas esse efeito precisa aparecer nos números. Quando o estabelecimento consegue relacionar o custo da energia à frequência de visitas e ao consumo dos clientes, passa a ter condições de decidir se vale ampliar, limitar ou reformular o benefício”, conclui Fernandes Junior.
A Apollo Energy atua em infraestrutura e tecnologia para recarga de veículos elétricos, com soluções para condomínios, empresas, frotas e eletropostos, além de serviços que vão do diagnóstico e projeto elétrico à instalação, gestão, monitoramento e cobrança individualizada das recargas.