O uso de drones reforçou a fiscalização nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda da ViaMobilidade e evitou cerca de 12 horas de atrasos em sete meses de operação, segundo a concessionária. Desde fevereiro, a empresa intensificou a tecnologia nas duas linhas metropolitanas de São Paulo para ampliar a agilidade no monitoramento ferroviário e acelerar a resposta a ocorrências.
Como o uso de drones mudou a fiscalização ferroviária
De acordo com a ViaMobilidade, os equipamentos permitiram a fiscalização de mais de seis mil quilômetros de ferrovias no período. Além disso, a companhia registrou média de 25 ocorrências por mês, com destaque para a presença irregular de pessoas na via. Ao todo, foram 155 abordagens nesse intervalo.
Antes da adoção da tecnologia, a identificação dessas situações dependia das câmeras fixas e do deslocamento de equipes das estações até o ponto da ocorrência, o que levava ao menos 10 minutos. Agora, com os drones, esse tempo caiu para até cinco minutos, prazo necessário para a decolagem do equipamento, e pode ser praticamente imediato quando ele já está em voo.
“Os drones trouxeram um ganho direto de autonomia e velocidade para a operação. Conseguimos visualizar a ocorrência em tempo real, avaliar o risco com mais precisão e, em muitos casos, fazer a abordagem por comando de voz no próprio equipamento, sem depender do deslocamento inicial de uma equipe até o local”, afirmou Everton Trindade, diretor das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda.
“Esse tempo de resposta menor faz diferença para a segurança das pessoas e para a regularidade da operação. Ao evitar que uma ocorrência evolua, reduzimos impactos na circulação dos trens, prevenimos atrasos e tornamos a tomada de decisão muito mais rápida”, completou Trindade.
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Investimento, operação e próximos passos
O investimento começou em fevereiro, com a compra de dois drones, e foi ampliado no segundo semestre com a aquisição de mais dois equipamentos. Ao todo, a ViaMobilidade investiu mais de R$ 300 mil na iniciativa. A empresa também formou a primeira turma de operadores de drone, com seis profissionais capacitados em um curso próprio voltado à operação ferroviária.
Entre os casos citados pela companhia, Kaio Gouveia, que atuava como Agente de Atendimento e Segurança, migrou para a área de tecnologia após participar da formação. “Durante esses sete meses, o trabalho foi de muito aprendizado, tive a oportunidade de aplicar melhor a operação com drone nas vias férreas e entender como o equipamento pode ser utilizado de diferentes formas no dia a dia. Sem falar no salto de carreira, passando a trabalhar em uma área estratégica, graças a oportunidade que a ViaMobilidade me deu”, disse.
Segundo a empresa, o modelo utilizado é o DJI Matrice 4 Thermal Enterprise, com câmera térmica e visão noturna. O equipamento pode voar a até 110 metros de altura, tem autonomia de 45 minutos por bateria e chega a até três horas de operação com trocas sucessivas. A partir do ponto de decolagem, o raio de atuação alcança até cinco quilômetros.
Com a frota ampliada para quatro drones, a estratégia prevê dois equipamentos dedicados em tempo integral à Linha 8, um para o entorno do Pátio Presidente Altino, em Osasco, e outro em modo de espera. Em setembro de 2026, os drones somaram mais de 80 horas de voo e identificaram 39 pessoas em áreas exclusivas de circulação de trens, além de apoiar outras áreas da operação em 15 voos, inclusive na detecção de animais próximos à faixa ferroviária.
A iniciativa também integra a Coordenadoria de Inteligência e Segurança (CIS), criada para apoiar a prevenção de ocorrências e a integração com outras áreas da companhia. À frente do setor está Alexandre Prates, ex-Coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo, com 37 anos de atuação em segurança pública.
“A criação da CIS faz parte de uma gestão estratégica voltada à proteção das pessoas e do patrimônio, com uso de tecnologia e atuação conjunta com as áreas operacionais e, quando necessário, com as forças de segurança. Minha experiência vem para somar a esse processo, com foco em reduzir não conformidades e contribuir para a tranquilidade e a normalidade da circulação dos trens”, afirmou Prates.
A ViaMobilidade informou ainda que reforça outras ações de segurança, como a presença uniformizada de agentes nas plataformas e no interior dos trens, para coibir práticas irregulares e tornar as viagens mais seguras e tranquilas.
A concessionária integra a plataforma de Trilhos da Motiva e opera as linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, que somam 44 estações no sistema metropolitano de São Paulo.