Pesquisa Global de Passageiros 2026 da IATA mostra avanço da biometria e da IA, mas entraves de entrada ainda travam viagens

A Pesquisa Global de Passageiros 2026 da IATA revela que viajantes ao redor do mundo estão adotando biometria, passaportes digitais e inteligência artificial para tornar as jornadas mais ágeis. Ao mesmo tempo, os requisitos de entrada seguem como um dos principais obstáculos para quem quer viajar, segundo os resultados divulgados em 28 de outubro de 2026.

De acordo com a associação, 58% dos passageiros passaram por processos biométricos em aeroportos nos últimos 12 meses, ante 50% em 2025. Além disso, 87% dos usuários dizem estar satisfeitos com a experiência, enquanto 78% afirmam que aceitariam compartilhar dados biométricos para dispensar a apresentação de passaporte ou cartão de embarque em pontos de controle.

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  • Biometria e passaporte digital ganham espaço na experiência do passageiro

    A IATA informa que o interesse por passaportes digitais também cresceu. Entre os entrevistados, 84% disseram querer usar o passaporte digital no check-in online, em vez do documento físico. Outros 82% demonstraram interesse em compartilhar o passaporte digital com a companhia aérea no momento da reserva, caso isso permita serviços mais personalizados, como informações sobre vistos.

    O levantamento também mostra que 82% dos passageiros gostariam de usar o smartphone – com carteira digital, passaporte digital e cartões de fidelidade – para reservar, pagar e concluir procedimentos de embarque e desembarque. No entanto, a confiança segue como condição essencial: as principais preocupações com biometria envolvem vazamento de dados (59%), compartilhamento com outras organizações (49%) e falta de clareza sobre o uso das informações pessoais (41%).

    “Cada vez mais passageiros usam a biometria em suas viagens. Eles gostaram da experiência e querem expandi-la. Essa é uma excelente notícia, pois os benefícios são substanciais: jornadas mais fluidas para os passageiros e processos mais eficientes e seguros para governos e companhias aéreas”, afirmou Nick Careen, vice-presidente sênior de Operações, Segurança e Proteção da IATA.

    Careen defendeu que governos adotem um arcabouço comum para emissão e aceitação de Credenciais Digitais de Viagem. Segundo ele, essa padronização pode acelerar a adoção da tecnologia e reduzir checagens duplicadas nos aeroportos.

    IA, imigração e exigências de entrada moldam o futuro das viagens

    A pesquisa mostra também que a inteligência artificial já faz parte do planejamento de viagens. Quase metade dos passageiros (49%) usou IA para organizar deslocamentos. Entre os usos mais frequentes, 21% recorreram à tecnologia para buscar voos para um destino específico, 19% para encontrar tarifas mais baixas e 17% para obter inspiração sobre para onde viajar.

    “As pessoas estão usando IA para planejar suas viagens. É fundamental que as companhias aéreas não apenas garantam que suas ofertas apareçam nessas plataformas de IA, mas também desenvolvam integrações práticas para converter uma conversa com a IA em uma reserva real”, afirmou Careen.

    Apesar disso, os entraves migratórios seguem pesando. Segundo a IATA, 43% dos passageiros disseram ter desistido de visitar um destino por causa dos requisitos de imigração, ante 33% em 2025. Entre os desestimulados por essas exigências, 53% apontaram excesso de complexidade, enquanto privacidade e custo somaram 17% cada um.

    Os viajantes também demonstram preferência por processos mais digitais e antecipados. A pesquisa indica que 86% aceitariam compartilhar informações migratórias antes do embarque para acelerar os trâmites, 45% preferem concluir a imigração antes de chegar ao aeroporto e 60% gostariam de solicitar o visto online, em vez de buscar atendimento presencial em consulados ou embaixadas.

    Careen ressaltou ainda que o e-Visa responde a essa demanda, mas depende de padrões unificados para permitir checagem eficiente pelas companhias aéreas. “Mais de 100 países já emitem e-Visas, porém há pouca padronização na forma como são checados. As ferramentas para corrigir isso já existem, e os governos deveriam adotá-las”, completou.

    O estudo ouviu mais de 10 mil passageiros, de mais de 200 países, e traça um panorama regional que mostra diferenças importantes no uso de biometria, IA e na percepção sobre exigências migratórias. Na África, por exemplo, os viajantes aparecem entre os mais satisfeitos, mas também entre os mais propensos a desistir de um destino por causa da imigração. Já na Europa, a cautela com tecnologias digitais segue acima da média.

    Na América Latina e Caribe, os passageiros registram o segundo maior índice de satisfação global e lideram o avanço desse indicador em relação a 2025. A região também figura entre as mais favoráveis a concluir trâmites migratórios antes da chegada ao aeroporto e mostra forte disposição para compartilhar dados digitais com antecedência. Ainda assim, a preocupação com compartilhamento e manuseio de dados pessoais aparece como a mais alta entre todas as regiões.

    O Oriente Médio, por sua vez, concentra os viajantes que mais usam IA para planejar viagens e os que mais demonstram interesse em passaportes digitais e identificação biométrica. Na América do Norte, os passageiros lideram o uso de biometria, mas também apresentam o maior nível de preocupação com vazamento de dados.

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