A inovação na indústria de pneus avança com a adoção de inteligência artificial, sensores, novos materiais e soluções voltadas à sustentabilidade, enquanto o setor amplia os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e proteção de propriedade intelectual. Segundo levantamento do escritório Montaury Pimenta, Machado & Vieira de Mello, esse movimento já se reflete no volume global de pedidos de patente e abre espaço para o Brasil reforçar sua participação nesse mercado.
Os dados mostram que, nesta década, o número de pedidos de patente relacionados a pneus publicados no mundo nunca ficou abaixo de 30 mil por ano. O pico ocorreu em 2021, com cerca de 35,5 mil registros. Entre as frentes mais recorrentes de inovação estão a banda de rodagem, os processos de fabricação, a composição química, os dispositivos para medição de parâmetros e o uso de novos compostos. Goodyear, Pirelli, Michelin e Bridgestone estão entre as grandes fabricantes que atuam nesse ambiente cada vez mais tecnológico.
IA e conectividade aceleram a transformação do setor
Uma das tendências mais relevantes é o avanço da inteligência artificial. Desde 2020, mais de 2,5 mil pedidos de patente envolvendo o uso de IA em pneus foram publicados em todo o mundo. Esse cenário impulsiona os chamados pneus inteligentes, que ampliam a integração entre o componente físico e os sistemas digitais dos veículos.
Sensores e outras tecnologias permitem coletar e analisar informações sobre desempenho e condições de uso, o que abre novas possibilidades para segurança, eficiência e manutenção. Para Rodrigo Moraes Costa, sócio do escritório Montaury Pimenta, Machado & Vieira de Mello, essa evolução também impõe novos desafios de proteção. “Com o emprego de recursos digitais cada vez mais comum na indústria de pneus, o diferencial na proteção patentária se encontra na interação entre as partes físicas dos pneus e as soluções digitais aplicadas nos mesmos”, explica.
Além disso, a inovação atende demandas específicas de diferentes segmentos. No agronegócio, fabricantes desenvolvem pneus com novas estruturas, materiais e desenhos de banda de rodagem para resistir a condições diversas de solo, aumentar a tração e melhorar a durabilidade. Já o crescimento dos veículos elétricos cria exigências ligadas à eficiência, ao peso dos automóveis e ao desgaste dos pneus.
Sustentabilidade e propriedade intelectual ampliam oportunidades no Brasil
Outra frente que ganha espaço é a sustentabilidade. Nesta década, mais de 5 mil pedidos de patente relacionados à reciclagem de materiais plásticos e de borracha foram publicados globalmente. A busca por alternativas que combinem desempenho, durabilidade e menor impacto ambiental estimula pesquisas sobre reaproveitamento de materiais, novas composições e processos produtivos.
Nesse contexto, a proteção da propriedade intelectual se torna estratégica para as empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento. “A busca por proteção patentária das invenções é essencial para garantir vantagem competitiva frente à concorrência, seja garantindo a exclusividade no uso de um avanço tecnológico, como também proporcionando um fundamento legal para impedir que terceiros o utilizem de forma irregular. A possibilidade de obtenção de pagamento de royalties através de acordos de licenciamento também é bastante relevante”, afirma Costa.
No Brasil, o cenário ainda mostra predominância de grandes fabricantes internacionais, enquanto a participação de empresas nacionais segue menos expressiva. O levantamento aponta 659 publicações relacionadas ao setor em 2020 e 161 até o momento em 2026. Mesmo assim, especialistas avaliam que há espaço para ampliar a proteção dessas tecnologias no país.
Com uma indústria automotiva relevante e aplicações que vão de veículos de passeio e elétricos a máquinas do agronegócio, o Brasil pode acompanhar mais de perto essa transformação tecnológica. Assim, o setor tem a oportunidade de fortalecer a competitividade, ampliar investimentos em pesquisa e desenvolvimento e avançar em um mercado no qual inovação e propriedade intelectual caminham juntas.