Corredor Verde inicia operação e cria eixo de biometano entre interior paulista e Porto de Santos

Corredor Verde começou a operar nesta quarta-feira (7), em Sumaré (SP), com a proposta de ampliar o uso de biometano no transporte rodoviário de cargas e estruturar um novo eixo de abastecimento entre o interior paulista e a região do Porto de Santos.

O projeto da TransJordano prevê uma rota de aproximadamente 450 quilômetros, conectando Ribeirão Preto, Sumaré e Cubatão, com pontos de abastecimento distribuídos ao longo do trajeto. A iniciativa marca o chamado Marco Zero do corredor e inaugura a fase operacional de um plano que deve reunir 100 caminhões movidos a biometano até dezembro de 2026.

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  • Marco Zero do Corredor Verde reúne operação, infraestrutura e financiamento

    O primeiro ponto de abastecimento começou a funcionar em Sumaré neste mês. Em seguida, a empresa prevê a abertura da unidade de Ribeirão Preto, em novembro, e da base de Cubatão, em dezembro. Os veículos terão autonomia de até 700 quilômetros, o que deve ampliar o alcance das operações a partir de cada uma das bases.

    Durante a inauguração, a TransJordano realizou o primeiro abastecimento a biometano da nova frota. O evento reuniu o prefeito de Sumaré, Henrique do Paraíso, representantes do BNDES, financiador do projeto por meio do Fundo Clima, além de empresas e entidades do setor de transporte e logística.

    João Bessa, fundador e presidente da TransJordano, afirmou que a decisão acompanha uma mudança já percebida entre os contratantes do transporte. “Os clientes mudaram e hoje têm metas de redução de emissões, e o transporte entra diretamente nessa conta. Decidimos olhar para o futuro e criar uma solução que pudesse funcionar de verdade na operação. Até dezembro, teremos 100 caminhões movidos a biometano, mas entendemos que não bastava ter os veículos: era preciso garantir onde abastecer. É por isso que o Corredor Verde nasce aberto aos nossos clientes, parceiros e também a outras transportadoras. Ninguém descarboniza a logística sozinho”, afirmou.

    A infraestrutura será operada pela GarageLog, empresa do Grupo TransJordano que já atua com garagem compartilhada, abastecimento e estruturas de apoio aos motoristas. Na unidade de Cubatão, por exemplo, a empresa recebe mais de 300 veículos por dia e movimenta mais de 360 mil litros de combustível por mês.

    Biometano ganha escala com novo eixo logístico paulista

    Segundo a empresa, a abertura dos pontos a outras transportadoras representa um diferencial do projeto. A proposta busca enfrentar um dos principais desafios para a expansão do combustível no transporte de cargas: a falta de infraestrutura ao longo das rotas.

    Com os três polos, o corredor amplia a possibilidade de atendimento a regiões como Campinas, Grande São Paulo, Baixada Santista, norte paulista, Sul de Minas e região de Uberlândia.

    Jordano Bessa, diretor de Novos Negócios da TransJordano, disse que a iniciativa nasceu justamente da identificação dessa limitação. “Quando começamos a estudar o biometano, percebemos que um dos maiores obstáculos era não ter onde abastecer nas rotas. Como já tínhamos a experiência da GarageLog e operações importantes em Cubatão, Sumaré e Ribeirão Preto, desenhamos os três pontos e estruturamos o Corredor Verde. O que nasceu para atender nossa operação hoje pode ser utilizado também por outros transportadores e contribuir para a descarbonização da logística brasileira”, afirmou.

    O executivo informou ainda que o desenvolvimento do projeto começou em junho de 2025 e envolveu estudos com fornecedores, análise de tecnologias, estruturação financeira e adequações para aumentar a autonomia dos caminhões. Os veículos receberam cilindros adicionais para alcançar cerca de 700 quilômetros de autonomia.

    Com a frota completa, a empresa calcula que o projeto deve evitar aproximadamente 6.486 toneladas de CO₂ equivalente por ano, segundo verificação independente do Bureau Veritas. A iniciativa também se relaciona às metas de redução das emissões de Escopo 3 de grandes embarcadores, já que a substituição do diesel pelo biometano reduz as emissões associadas ao transporte dentro da cadeia de valor dos clientes.

    Joyce Bessa, diretora de ESG e Relações Institucionais da TransJordano, afirmou que a inauguração mostra a necessidade de planejamento e execução para que projetos ambientais saiam do papel. “Chegar à inauguração do Corredor Verde significa transformar uma estratégia de descarbonização em uma estrutura concreta, que pode ser acompanhada e mensurada. Existe um trabalho muito grande por trás disso, envolvendo financiamento, tecnologia, operação, indicadores e muitas pessoas. Para nós, sustentabilidade precisa chegar à prática e produzir resultados que possam ser comprovados ao longo do tempo”, disse.

    Durante a programação, a Ultragaz apresentou informações sobre o combustível e sobre os aspectos de segurança do abastecimento. A Scania destacou a evolução dos veículos a gás no Brasil e a importância da infraestrutura para ampliar a adoção da tecnologia. A WLM Quinta Roda, por sua vez, ressaltou o suporte à operação e anunciou a instalação de um ponto de manutenção dentro da GarageLog.

    Ao final, o prefeito de Sumaré afirmou que o projeto reforça a posição estratégica do município na logística paulista e pode atrair novos investimentos. “Sumaré tem uma localização privilegiada, próxima de importantes rodovias, de Viracopos, do Porto Seco e das linhas férreas. Agora passa a integrar também esse eixo do biometano, conectando Ribeirão Preto, Sumaré, Cubatão e o Porto de Santos. Estamos falando de energia limpa, sustentabilidade e investimento de qualidade, com uma estrutura aberta a outras transportadoras. Isso tem potencial para atrair novos operadores logísticos, empresas e investimentos e fortalecer ainda mais o desenvolvimento econômico da nossa região”, afirmou Henrique do Paraíso.

    Com o Corredor Verde, a TransJordano afirma que quer demonstrar, na prática, que a transição energética no transporte depende da articulação entre transportadoras, fornecedores de veículos e combustível, operadores de infraestrutura, embarcadores e agentes de financiamento. Ao reunir esses atores em uma única iniciativa, o projeto busca criar condições para que o biometano avance de forma estruturada no setor.

    A TransJordano foi fundada em 1998, tem sede em Paulínia (SP) e atua no transporte rodoviário de combustíveis, produtos químicos, granéis sólidos e cargas gerais. A companhia informa que conta com mais de mil colaboradores, mais de 1.600 placas, percorre mais de 32 milhões de quilômetros por ano e mantém tecnologia embarcada e telemetria em 100% da frota.

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