O Brasil emplacou 381.609 veículos leves eletrificados entre janeiro e setembro de 2026, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Em setembro, o país registrou 53.126 unidades, alta de 148,9% em relação ao mesmo mês de 2025. Com a expansão da recarga em casa, o aterramento residencial volta ao centro da discussão, porque ele sustenta a segurança do carregador e reduz riscos em caso de falhas elétricas.
Desde 2012, a série histórica já superou 1 milhão de veículos eletrificados. O avanço reforça a mudança no perfil de uso desses automóveis, que agora passam horas conectados à rede em carga contínua, muitas vezes na garagem de casa.
Por que o aterramento residencial ganha importância na recarga
Diferentemente de um eletrodoméstico comum, o carro elétrico permanece ligado à rede por longos períodos e em carga alta. Seja com carregador portátil em tomada comum, seja com wallbox, a instalação trabalha perto do limite por mais tempo do que outros usos domésticos.
Nesse cenário, o fio terra funciona como caminho seguro para a corrente quando ocorre fuga elétrica. Ele ajuda o disjuntor e o dispositivo diferencial residual (DR) a desligarem o circuito. Sem esse recurso, a carcaça do equipamento ou do veículo pode ficar energizada e expor o usuário ao choque elétrico.
“Atualmente a recarga de um carro elétrico é em termos de instalação, uma das cargas mais exigentes que uma casa está recebendo. Se o aterramento está ausente ou deteriorado, as proteções que deveriam atuar no caso de fugas de corrente podem simplesmente não funcionar”, afirma Fellipe Ramon Teixeira do Couto, supervisor de ensino e engenheiro eletricista da Loja Elétrica.
O que verificar antes de instalar o carregador
A Loja Elétrica recomenda que um profissional qualificado avalie a instalação antes da compra do equipamento. Entre os pontos centrais, a empresa cita a existência e a continuidade do fio terra até o quadro de distribuição e as tomadas, além do estado da haste e das conexões do aterramento, que se degradam com o tempo, sobretudo em imóveis antigos.
A empresa também orienta que o carregador use circuito exclusivo, com disjuntor próprio, sem divisão com outros equipamentos. Além disso, a proteção por DR e por dispositivo de proteção contra surtos (DPS) também depende de aterramento adequado para funcionar corretamente.
“Instalações elétricas antigas, especialmente aquelas que possuem tomadas de dois pinos e não dispõem do condutor de proteção, não combinam com um carregador novo. Antes de investir com o novo equipamento, é fundamental realizar uma avaliação técnica da instalação, porque assim o profissional garante se a recarga será segura”, explica Fellipe Ramon Teixeira do Couto.
Na experiência da empresa, choques elétricos ao encostar em eletrodomésticos, tomadas sem o terceiro pino, uso de adaptadores para encaixar plugues de três pinos e falhas recorrentes em equipamentos indicam possíveis problemas na instalação elétrica. Esses sinais merecem atenção mesmo sem a presença de um carro elétrico na garagem, mas ganham prioridade para quem pretende adotar a recarga residencial.
“Quem está avaliando para comprar um carro elétrico deveria incluir a verificação do aterramento no mesmo orçamento do veículo. É um custo pequeno perto do risco que ele evita”, orienta Fellipe Ramon Teixeira do Couto.
Fundada em Belo Horizonte em 1947, a Loja Elétrica atua em frentes como aterramento, SPDA, iluminação, energia solar e automação residencial. A empresa afirma que seu princípio é orientar o consumidor de forma correta e recomendar o acompanhamento de um profissional habilitado antes de qualquer compra ou obra.