A volta ao mundo solo entrou na reta final após seis meses de viagem: o piloto cearense Alex Frota atravessou cinco continentes em um avião monomotor experimental e agora segue em direção a Fortaleza, com chegada prevista para 12 de setembro.
A expedição começou em 15 de março, em Fortaleza, e percorreu rotas pelo Norte do Brasil, Caribe, Estados Unidos, Canadá, Groenlândia, Islândia, Europa, África, Oriente Médio, Ásia, Austrália e, depois, de volta ao hemisfério ocidental. Segundo Alex, o trecho atual marca o retorno ao ponto de origem após a conclusão dos principais objetivos da jornada.
“Já conseguimos os recordes que buscávamos. Agora, a missão é chegar em casa e concluir o projeto”, destaca Alex.
Rota, recordes e ajustes no percurso
Ao longo da viagem, o piloto afirma ter se tornado o primeiro brasileiro a completar uma volta ao mundo solo passando pelos cinco continentes. Ele também diz que o RV-10 se tornou a primeira aeronave desse modelo a realizar o mesmo feito.
A trajetória incluiu a passagem por Oshkosh, nos Estados Unidos, em abril e, novamente, em 21 de julho, quando Frota completou, segundo ele, a versão mais curta da volta ao mundo. No entanto, o plano inicial mudou após dificuldades para obter autorizações de voo no México, devido à condição experimental da aeronave.
“De todos os países que visitamos, o México foi o único em que não conseguimos avançar. Tivemos de voltar aos Estados Unidos e redesenhar a rota”, relata.
Com isso, a expedição antecipou a entrada no Brasil pelo Norte. O novo cronograma prevê pousos em Boa Vista, Manaus, Santarém, Belém, Maranhão, Teresina, Recife, Paraíba, Natal, Aracati e, por fim, Fortaleza.
Desafios climáticos, burocráticos e pessoais
Durante o trajeto, Alex Frota enfrentou temperaturas de -22°C na Groenlândia e mais de 50°C no Oriente Médio. Além disso, lidou com chuva intensa sobre a Floresta Amazônica, monções na Ásia, tufões e longas extensões de território pouco habitado na Sibéria.
Na Groenlândia, as baixas temperaturas obrigaram a troca do óleo do avião. Já no Oriente Médio, o calor extremo provocou superaquecimento e exigiu atenção redobrada com peças da aeronave.
“Passamos de temperaturas abaixo de 20 graus negativos para mais de 50 graus na pista. Na Groenlândia, o avião chegou a congelar e tivemos de usar outro óleo. No Oriente Médio, algumas peças chegaram a sofrer com o calor extremo”, conta.
Além do clima, a viagem também enfrentou barreiras de navegação, burocracia e panes mecânicas. Em algumas regiões, o piloto ficou sem sinal confiável de GPS e precisou recorrer a radionavegação, mapas e cronômetro. Nas Filipinas, aguardou mais de uma semana por autorização, enquanto na Coreia do Sul a rota precisou de ajustes para viabilizar a passagem.
Entre os problemas técnicos, Frota relatou vazamento de combustível em Melilla, no norte da África, e um problema elétrico que levou cerca de duas semanas para ser solucionado entre Dubai e Índia.
Apesar dos obstáculos, o piloto também destaca a saudade da família como um dos pontos mais difíceis da expedição. O maior período sem reencontro chegou a cerca de 70 dias. O próximo encontro está previsto para Fortaleza, na chegada final.
“Essa parte da saudade da família me pega muito. É uma viagem longa e muito demandante, mas agora está acabando. Estamos chegando em casa”, afirma.
Depois do encerramento da atual missão, Alex Frota projeta para novembro um Giro pelo Brasil, com duração estimada entre 20 e 30 dias e foco em palestras. Até lá, porém, ainda precisa concluir os últimos trechos da expedição.
“A missão ainda não acabou. Ainda temos muitos riscos para gerenciar até chegar em casa. Mas estamos indo”, afirma.
Alex Frota, também conhecido como Alex Bacana, é administrador de empresas, gestor de recursos e administrador de carteiras credenciado pela CVM. Apaixonado por aviação desde a infância, tirou o brevê aos 44 anos e hoje lidera o projeto Frotas Pelo Mundo, iniciativa que prevê 74 mil quilômetros, 45 países e 150 dias de voo.
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