Os VLTs foram apontados como instrumentos capazes de integrar sistemas de transporte, recuperar áreas urbanas e ampliar a mobilidade nas cidades brasileiras, durante painel realizado nesta quarta-feira, 2, no segundo dia da 32ª Semana de Tecnologia Metroferroviária, em São Paulo.
O debate reuniu experiências da Baixada Santista (SP), do Rio de Janeiro (RJ) e de Salvador (BA) no painel “VLT no Brasil: Impactos e Perspectivas com a Experiência e Expansão”, moderado pelo presidente da AEAMESP, Ayrton Camargo e Silva. Participaram Felipe R. Freitas, Vitor N. Cruz e Gilson J. Vieira, com relatos sobre projetos implantados ou em desenvolvimento no país.
Integração e planejamento ampliam o potencial dos VLTs
Ao longo da discussão, os participantes defenderam que o VLT precisa entrar em redes integradas de mobilidade. Além disso, destacaram que o modal pode estimular a recuperação de espaços urbanos e gerar efeitos econômicos e sociais para a população.
Felipe Freitas afirmou que municípios brasileiros cortados por ferrovias podem aproveitar essas estruturas para criar sistemas regionais de VLT, desde que os projetos se conectem a outros meios de transporte e alcancem escala capaz de atrair investimentos.
“Um VLT que não esteja integrado com os ônibus não fará sentido. O passageiro não quer saber se o sistema pertence ao município, ao Estado ou à União. Ele quer embarcar e chegar ao seu destino com segurança, qualidade e conforto”, ele afirmou.
Ele também disse que o principal desafio passa pela articulação entre União, estados e municípios. Segundo Freitas, essa coordenação se torna essencial para elaborar projetos integrados e viáveis.
“Precisamos conversar e construir uma perspectiva de futuro. É necessário entender a realidade dos municípios, estudar novos projetos e desenvolver soluções que também façam sentido para a iniciativa privada”, explicou.
Vitor Cruz ressaltou que os benefícios do transporte sobre trilhos vão além da operação do sistema. Para ele, o VLT deve funcionar como instrumento de desenvolvimento urbano e social.
“A ferrovia tem a capacidade de criar identificação com a população e deixar um legado permanente. O transporte interfere nos aspectos econômicos, sociais e em praticamente todas as dimensões da vida das pessoas”, disse.
Experiências regionais mostram caminhos para expansão
Na apresentação sobre a Bahia, Gilson Vieira, do projeto Ver de Trem, destacou a mobilização social em defesa do transporte ferroviário. Ele relatou o aproveitamento de veículos, trilhos, postes e subestações inicialmente adquiridos para o VLT de Cuiabá, equipamento que não entrou em operação e foi destinado ao projeto baiano, o que reduziu custos e acelerou a implantação.
Gilson afirmou que a proposta prevê conexão com o metrô de Salvador e ampliação do atendimento a diferentes áreas da capital baiana. Ele também mencionou articulações para levar o sistema à região do Comércio e estudos sobre a implantação de trens regionais na Bahia.
Ao encerrar o debate, Ayrton Camargo e Silva defendeu a participação da sociedade na definição das prioridades dos governos. “O nosso sonho é ver a população mobilizada para que os orçamentos públicos sejam destinados não apenas à construção de soluções viárias, mas também à implantação de sistemas de excelência, como os metrôs, os trens e, particularmente, os VLTs”, declarou.
O presidente da AEAMESP também colocou a entidade à disposição para aproximar os projetos de trens regionais debatidos na Bahia da experiência do Trem Intercidades, que ligará São Paulo a Campinas. Segundo ele, essa troca pode acelerar estudos e disseminar boas práticas entre diferentes regiões.
“A AEAMESP se considera uma trincheira na defesa do VLT. Tudo o que pudermos fazer para divulgar a boa técnica, as boas experiências e uma tecnologia com potencial para transformar as nossas cidades, nós faremos”, concluiu.
A 32ª Semana de Tecnologia Metroferroviária segue até 4 de setembro, com mais de 80 palestrantes nacionais e internacionais e 40 horas de programação. O evento reúne autoridades, gestores públicos e privados, executivos, especialistas, acadêmicos e formadores de opinião no Nikkey Palace Hotel, em São Paulo.