O setor automotivo brasileiro ganhou novos contornos no Summit Futuro da Mobilidade 2026, realizado pela Autoesporte e pelo Valor Econômico, em São Paulo. O encontro reuniu executivos, representantes de montadoras, fornecedores e gestores públicos para discutir como a inteligência artificial, a conectividade, a eletrificação e a digitalização estão redefinindo a indústria, a mobilidade urbana e o perfil dos profissionais.
Logo na abertura, Tania Cosentino, conselheira da WEG e ex-presidente da Microsoft Brasil, destacou a velocidade das transformações e a necessidade de requalificação da mão de obra. Ela lembrou que os estudos sobre inteligência artificial generativa já projetam a eliminação de 92 milhões de empregos e a criação de 170 milhões até 2030, com saldo positivo de 78 milhões de vagas.
Cadeia de fornecedores se adapta à nova mobilidade
No primeiro painel, o debate se concentrou na preparação da cadeia de fornecedores para veículos eletrificados, inteligentes e conectados. Ricardo Bastos, presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), afirmou que empresas estrangeiras precisam de parceiros locais para atuar no país, diante da complexidade do mercado brasileiro.
José Eduardo Luzzi, diretor do Segmento de Veículos Comerciais do Sindipeças e da Abipeças, observou que fornecedores chineses chegam ao Brasil com estrutura, conhecimento do mercado e das regras locais, o que acelera a produção nacional. Ele também destacou o fortalecimento da engenharia brasileira nesse processo.
Já Valter Luiz Knihs, diretor de Engenharia de eMobility e Baterias da WEG, disse que o motor a combustão não desaparecerá, mas deverá conviver com o motor elétrico em veículos híbridos. Segundo ele, marcas internacionais demonstram interesse crescente em localizar componentes no Brasil.
Setor automotivo acelera com software, dados e indústria 4.0
O segundo painel tratou da conectividade e do papel do software na experiência a bordo. Durval Pinheiro Junior, diretor do Senai Automobilística, afirmou que o mecânico do futuro precisará dominar peças, eletrônica e software. Ele classificou a programação de inteligência artificial e o desenvolvimento de eletrônica como oportunidades para a engenharia brasileira.
Márcio Filho, diretor de Customer Support do BMW Group Brasil, disse que a marca iniciou sua trajetória de conectividade no país há 12 anos e hoje usa o volume de dados para antecipar demandas e tornar o carro mais adaptado ao condutor. Na mesma linha, Luciano Driemeier, gerente global de Negócios Conectados da Ford, explicou que a inteligência artificial permite uma manutenção preditiva e atualizações remotas por meio de sistemas Over-the-Air.
No terceiro painel, Marcello Schneider, diretor de Veículos Comerciais e Solar da BYD no Brasil, afirmou que operadores de transporte não querem voltar atrás na eletrificação do ônibus urbano, porque veem ganhos financeiros e operacionais. Ele também disse que passageiros já demonstram preferência pelos ônibus elétricos.
O secretário executivo municipal de Mobilidade e Trânsito de São Paulo, Gilmar Pereira Miranda, afirmou que a capital busca integrar modais e ampliar a segurança viária com apoio da tecnologia e da IA. Ele reconheceu, porém, que a infraestrutura de recarga ainda é um desafio. Gabriel Porto, vice-presidente de Marketing e Produtos do Sem Parar, destacou a integração de serviços digitais em aplicativos. Rodrigo Zambon, CEO do Pedágio Digital, acrescentou que o debate já envolve infraestrutura digital, dados em tempo real e novos serviços para a mobilidade.
Encerrando a programação, Marcus Vinícius Aguiar, vice-presidente executivo da Anfavea e presidente da AEA, disse que a indústria nacional precisa escolher caminhos competitivos, com foco em biocombustíveis e em suas próprias tecnologias. Ele afirmou que as montadoras no Brasil aceleram investimentos em Indústria 4.0, digitalização, IA e gêmeos digitais.
Gustavo Schmidt, CCO da GAC no Brasil, avaliou que o país tem mercado, relevância exportadora e maturidade industrial para receber novas marcas e avançar em inovação. Diego Fernandes, COO da GWM, disse que marcas chinesas trazem parques tecnológicos modernos, mas exigem esforço da cadeia de fornecedores. Por fim, Mauro Correia, CEO da HPE do Brasil, defendeu mais investimento em educação e formação técnica para que o setor acompanhe a transformação em curso.
O Summit Futuro da Mobilidade 2026 teve patrocínio de GAC, BYD e Ford e foi realizado por Autoesporte e Valor Econômico.