A passagem aérea de segunda-feira é 59,4% mais cara do que a média entre terça e sexta-feira, de 6h às 12h, e ainda assim concentra mais que o dobro das emissões de bilhetes nacionais em relação a qualquer dia de fim de semana, segundo levantamento da agência de gestão de viagens e despesas corporativas VOLL.
Os dados mostram que o maior volume de voos corporativos no Brasil ocorre entre 9h e 12h, com pico às 11h. A amostra considera mais de 50 mil passagens aéreas compradas para voos às segundas pela manhã nos últimos 12 meses, entre agosto de 2025 e julho de 2026.
Passagem aérea de segunda-feira revela rotina corporativa do país
Para Luiz Moura, cofundador e diretor de negócios da VOLL e conselheiro de turismo da FecomercioSP, o comportamento retrata um padrão conhecido por quem gerencia deslocamentos profissionais. “A gente enxerga aqui o próprio ritmo da vida corporativa brasileira. Segunda de manhã é quando o país inteiro embarca, porque ninguém quer perder o começo da semana em trânsito. Esse tipo de padrão muda completamente a forma como uma empresa deveria negociar tarifas e antecipar orçamento”, afirma.
Além disso, o estudo aponta que viajar em semana de feriado nacional é raro e caro. Nesses períodos, o volume de viagens corporativas cai para uma fração mínima do observado em um dia útil equivalente, enquanto a tarifa média sobe entre 8% e 29%.
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Pix domina pagamentos e mobilidade varia conforme o aeroporto
O levantamento também identificou que o Pix lidera os pagamentos corporativos. Ele responde por 64,6% do número de transações e 65,6% do valor movimentado com cartão pré-pago corporativo, enquanto o cartão de crédito fica com 35,4% e 34,4%, respectivamente.
Os horários das compras seguem a rotina de refeições: o intervalo entre 12h e 13h concentra 22% dos pagamentos, e a faixa entre 18h e 22h responde por quase 38%. Juntos, os dois períodos somam cerca de 60% de todo o gasto registrado no cartão. Restaurantes lideram os estabelecimentos mais frequentados, seguidos por postos de combustível.
O estudo também encontrou diferenças relevantes na mobilidade urbana ligada à viagem corporativa. Corridas por aplicativo com origem em aeroportos mais centrais, como Congonhas, em São Paulo, e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, têm custo médio inferior ao de terminais mais distantes, como Guarulhos e Confins. Na comparação entre as médias, a diferença chega a 162% a mais no custo.
Por fim, a antecedência de compra também varia conforme o serviço. As passagens aéreas são reservadas com cerca do dobro da antecedência das diárias de hotel. Já as reservas de transporte rodoviário e locação de veículos têm a menor antecedência, em linha com deslocamentos mais curtos e decisões tomadas em cima da hora.
Segundo Moura, esses números ajudam a compor um retrato mais amplo da mobilidade corporativa no país. “Cada um desses números podem até parecer pequeno isoladamente, mas juntos formam o mapa de como o Brasil corporativo realmente se move. É esse tipo de dado que separa uma gestão de viagens que reage ao imprevisto de uma que já sabia que ele viria. Para ter esse mapeamento, as empresas têm adotado soluções tecnológicas para trabalhar com planejamento estratégico contínuo e previsibilidade eficaz”, conclui.