Semana da Mobilidade destaca desafios das cidades e mobilidade urbana, diz urbanista do BONDE

A Semana da Mobilidade ganha destaque com a aproximação do Dia Mundial Sem Carro, em 22 de setembro, e recoloca no centro do debate os desafios para tornar as cidades mais inclusivas. Nesse contexto, o urbanista Roberto Andrés, codiretor-executivo do BONDE e professor da UFMG, surge como uma das fontes indicadas para discutir qualidade, financiamento do transporte público, redução da dependência do carro e garantia do direito à cidade.

Mobilização social e mobilidade urbana

Além dos problemas estruturais das cidades, Roberto Andrés também pode abordar o papel da mobilização social na construção das políticas de mobilidade. Embora avanços nessa área dependam sobretudo do poder público, a organização da sociedade ajuda a colocar demandas na agenda, ampliar o debate e pressionar por mudanças.

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  • Essa perspectiva se conecta à atuação do BONDE, organização que há 15 anos trabalha com mobilização e incidência em políticas públicas e participou, por exemplo, da campanha Busão 0800, pela Tarifa Zero em Belo Horizonte. O próprio Roberto esteve à frente da mobilização pela Tarifa Zero na capital mineira.

    Plataforma aposta em formação cidadã para ampliar a mobilidade urbana

    O BONDE, antigo NOSSAS, também lançou uma plataforma de formação política voltada ao desenvolvimento do pensamento crítico e ao estímulo da participação para além das urnas. A iniciativa funciona por assinatura, recebe novos cursos mensalmente e reúne nomes como Alessandra Orofino, Marcos Nobre, Rita Von Hunty, Ynaê Lopes dos Santos, Angela Mendes, Sidarta Ribeiro, Txai Suruí, Schuma Schumaher, Dani Silva, Raul Santiago e Ed René Kivitz.

    Os dados apresentados pelo material de divulgação reforçam o diagnóstico de distanciamento da população em relação à política. Segundo o Panorama Político 2024, do DataSenado, 40% dos brasileiros dizem não se identificar com nenhuma posição política. Já levantamento do Datafolha aponta que apenas 23% lembram em quem votaram para deputado federal em 2022, enquanto 67% não se recordam.

    Para Talita Novacoski, codiretora-executiva do BONDE, esse quadro exige uma visão mais ampla sobre participação cidadã. “Participar da política não significa apenas votar a cada quatro anos. A democracia depende de pessoas capazes de compreender os problemas coletivos, acompanhar decisões públicas e atuar em suas comunidades. Quando grande parte da população não se reconhece nesse processo, perdemos oportunidades importantes de construir soluções coletivas”, comenta.

    Roberto Andrés também destaca a formação como ferramenta de transformação. “O BONDE acredita na mobilização como ferramenta de transformação, mas entendemos que fortalecer as pessoas também passa por compartilhar conhecimento. Queremos conectar experiências, repertórios e estratégias para que mais gente possa atuar em suas comunidades e enfrentar desafios como desigualdade, crise climática e direito à cidade”, reforça.

    O BONDE informa que a plataforma é aberta a qualquer pessoa interessada em aprofundar conhecimentos sobre democracia, meio ambiente, direitos humanos, cidades e mobilização social. Mais informações estão disponíveis no site.

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