Financiamento de caminhões cresceu 8,1% entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados da B3. No acumulado do ano, foram 156.035 operações de crédito em caminhões novos e usados, em um cenário de juros elevados e crédito mais restrito.
O avanço, porém, não ocorreu de forma igual entre as categorias. As operações com veículos usados somaram 87.939 financiamentos, alta de 10,6% em relação aos primeiros sete meses de 2025. Já os modelos novos registraram 68.096 operações, crescimento de 4,9% no período.
Seminovos ganham espaço no financiamento de caminhões
O resultado reforça o peso dos seminovos nas decisões de compra. De acordo com o gerente de marcas da Servopa Caminhões, Luis Spezia, o consumidor está mais atento ao custo total da operação e avalia outros fatores além da parcela do financiamento.
“Estamos vendo um cliente mais racional e mais atento ao custo da operação. Ele não olha apenas para o valor do caminhão ou para a parcela do financiamento, mas também para fatores como produtividade, consumo, manutenção e disponibilidade. Quando essa conta fecha, mesmo em um cenário de juros altos, a renovação da frota deixa de ser adiada e passa a ser vista como investimento”, afirma.
Segundo Spezia, para transportadoras e empresas que dependem de veículos pesados, a análise se torna ainda mais importante porque envolve a necessidade de renovar a frota sem comprometer o caixa. Nesse contexto, o crédito ajuda a substituir caminhões antigos sem a necessidade de desembolsar todo o valor de uma vez.
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Mercado segue pressionado por juros e custo operacional
O ambiente continua desafiador para o setor. Em julho, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA) reduziu sua projeção de licenciamentos de caminhões para 2026, que passou a 106,7 mil unidades no ano. A entidade citou juros elevados, condições menos favoráveis para o agronegócio e custos ainda pressionados.
Na avaliação de Spezia, a troca de caminhões exige uma conta que vai além do valor financiado. “Para uma empresa, a decisão de renovar um caminhão passa por uma análise que vai muito além da parcela. É preciso colocar na conta o consumo de combustível, os custos de manutenção, o tempo que o veículo fica parado e a produtividade que ele consegue entregar. Por isso, o financiamento pode ser uma ferramenta importante para antecipar essa troca quando o ganho de eficiência compensa o custo do investimento”, explica.
Ele também destaca que o seminovo pode representar uma alternativa interessante para empresas que precisam equilibrar renovação e capacidade de investimento. “Em muitos casos, é possível substituir um veículo mais antigo por outro mais eficiente sem assumir o mesmo nível de investimento exigido para a aquisição de um caminhão zero-quilômetro”, diz.
Ao fim, o executivo resume que a renovação da frota é uma decisão de negócio. “Quando a empresa consegue colocar na conta o investimento, o custo financeiro e os ganhos de eficiência que o novo veículo pode proporcionar, ela passa a ter mais elementos para avaliar se é o momento de fazer essa mudança”, finaliza Spezia.