A Prefeitura de São Paulo entregou nesta sexta-feira (11) a Estação de Transferência Jaguaré, equipamento que reorganiza o transporte de resíduos e reduz a circulação de caminhões compactadores nos bairros da cidade. A nova estação recebeu investimento de R$ 180 milhões e tem capacidade para processar até 2 mil toneladas de resíduos por dia, centralizando o fluxo de 148 setores de coleta.
Estação de Transferência Jaguaré
Na unidade, os resíduos recolhidos por caminhões menores são transferidos para carretas de maior capacidade, que seguem até o aterro sanitário licenciado no município de Caieiras, na Grande São Paulo. Segundo a concessionária Loga, responsável pela operação, cada carreta substitui o deslocamento de três caminhões compactadores dentro da cidade, melhorando a eficiência da coleta, o trânsito e a qualidade do serviço.
O prefeito Ricardo Nunes explicou que a estação funciona como um transbordo para a coleta de lixo de 1,3 milhão de pessoas. “Os caminhões vêm para este local, onde são realizadas a separação e a compactação dos resíduos, em vez de cada veículo ter de se dirigir até o aterro. Só com esta estação, a gente deixa de consumir 2.500 litros de diesel por dia com essa logística de coleta e transporte do lixo”, detalhou. Ele ressaltou que a unidade não emite odor e conta com alta tecnologia, demonstrando a atenção da administração municipal ao meio ambiente.
A Estação de Transferência Jaguaré está instalada em uma área de 12.500 m² e atende às regiões das subprefeituras de Perus, Pirituba, Freguesia do Ó/Brasilândia, Casa Verde/Cachoeirinha, Santana/Tucuruvi, Jaçanã/Tremembé, Vila Maria/Vila Guilherme, Lapa, Sé, Butantã e Pinheiros. O equipamento beneficia mais de 380 bairros e mais de 1,3 milhão de pessoas.
Menos caminhões nas ruas
A estação funciona como ponto de transferência entre os veículos que fazem a coleta nos bairros e as carretas responsáveis pelo transporte dos resíduos até o aterro. Em vez de os caminhões compactadores percorrerem todo o trajeto até a destinação final, eles descarregam o material no Jaguaré e retornam à operação de coleta. A utilização de veículos de maior capacidade concentra o transporte dos resíduos em menos viagens.
De acordo com o diretor-presidente da Loga, Domênico Barreto Granata, cada carreta utilizada a partir da estação representa três caminhões compactadores a menos circulando pela cidade nessa etapa do serviço. O trajeto dos caminhões que chegam à estação foi planejado para evitar impacto em ruas residenciais, e a operação permite que os veículos responsáveis pela coleta retornem mais rapidamente aos bairros, contribuindo para maior agilidade do serviço.
Operação fechada e controle ambiental
Toda a transferência dos resíduos ocorre em um galpão fechado, projetado para reduzir os impactos da operação sobre a vizinhança. Filtros de carvão renovam o ar em ciclos de até dez vezes por hora. A estrutura conta com telhas acústicas e sistema de exaustão em pressão negativa, que evitam a emissão de odores e ruídos para o ambiente externo.
O fosso da estação é impermeabilizado e os efluentes gerados na operação são captados e tratados. Também são adotados procedimentos de controle de pragas e contenção de chorume. A operação segue os padrões de segurança e licenciamento ambiental estabelecidos pela SP Regula, com as autorizações e licenças emitidas pelos órgãos competentes.
Frota com energia limpa
A modernização da operação de limpeza urbana inclui veículos movidos a fontes de energia menos poluentes. A Loga já utiliza caminhões movidos a biometano e veículos elétricos na operação. Em dezembro de 2024, a concessionária entregou os primeiros caminhões movidos a biometano dentro da renovação do contrato.
Atualmente, a frota de coleta é composta por 620 veículos, sendo 220 movidos a biometano e 42 elétricos, que evitam o consumo de 35 mil litros de óleo diesel por ano. A coleta mecanizada também faz parte da operação da região, com resíduos acondicionados em contêineres e recolhidos mecanicamente, garantindo proteção contra as condições climáticas e maior regularidade no serviço.
Quatro estações de transferência
Com a entrega da unidade do Jaguaré, São Paulo passa a contar com quatro Estações de Transferência de Resíduos Comuns. As outras três estão localizadas na Ponte Pequena, na região central, e nos bairros do Ipiranga e Santo Amaro, na Zona Sul. A cidade também possui duas Centrais Mecanizadas de Triagem destinadas à separação e encaminhamento de materiais recicláveis para cooperativas e usinas de recuperação energética.
A Estação de Transferência Jaguaré representa um avanço importante na logística de coleta e transporte de resíduos da capital, beneficiando diretamente mais de 1,3 milhão de pessoas e contribuindo para a sustentabilidade e eficiência do serviço público.