No Dia Mundial Sem Carro, as e-bikes ganham destaque no Brasil com avanço de 77,3% na produção entre janeiro e julho de 2026, segundo dados da Abraciclo. No período, o Polo Industrial de Manaus fabricou 43.107 unidades, e essas bicicletas elétricas já responderam por 21,5% da produção total de bicicletas no polo, ante 11,4% no mesmo intervalo do ano anterior.
O crescimento desses modais amplia as opções de deslocamento nas cidades, especialmente em trajetos de curta e média distância. Assim, eles surgem como alternativas para idas ao trabalho, à faculdade, à academia, ao mercado e também para a conexão com o transporte público. Dependendo da categoria e das características do equipamento, há modelos que não exigem habilitação para condução.
Como as e-bikes se encaixam na mobilidade urbana
O mercado reúne soluções diferentes para necessidades distintas. Nas bicicletas elétricas, o motor atua como assistência à pedalada, o que reduz o esforço em subidas e em percursos mais longos. Já os autopropelidos contam com propulsão própria e dispensam a pedalada, com aplicações que vão da mobilidade individual a atividades profissionais.
Na avaliação de David Peterle, CEO da Oggi Bikes, StreetGo e YOO Mobility, a mudança de comportamento não precisa ocorrer de forma abrupta. “O futuro da mobilidade não será definido por um único veículo, mas pela liberdade de escolher o melhor meio para cada jornada.”
Ele também destaca que a redução da dependência do automóvel pode começar pela análise da rotina. “Reduzir a dependência do carro não significa deixar de usá-lo de uma hora para outra. A mudança pode começar quando a pessoa olha para a própria semana e identifica quais trajetos hoje feitos de automóvel podem ser realizados de bicicleta ou autopropelido. Com a assistência elétrica e a evolução dos produtos, conseguimos ampliar cada vez mais as possibilidades de uso da bike como meio de transporte”, completa Peterle.
Mercado maior exige atenção à legislação e à procedência
Com a expansão desses veículos, o consumidor também precisa observar regras, garantia, manutenção e procedência. Além de preço, potência e autonomia, esses fatores ganham peso quando o equipamento passa a integrar a rotina como meio de transporte.
A Resolução Contran nº 996 estabelece critérios para bicicletas elétricas, equipamentos de mobilidade individual autopropelidos e ciclomotores, considerando potência, velocidade máxima de fabricação, dimensões e forma de funcionamento. A classificação do veículo define as regras aplicáveis à circulação de cada categoria.
Peterle reforça que a compra exige atenção ao uso pretendido e à estrutura por trás do produto. “O consumidor encontra hoje diferentes soluções de mobilidade elétrica e nem sempre produtos visualmente parecidos pertencem à mesma categoria. Antes da compra, é importante entender para qual uso aquele veículo foi desenvolvido, quais regras precisa atender e se existe uma estrutura de assistência e manutenção por trás dele. Quando o objetivo é incorporar esse modal à rotina, essas questões ganham ainda mais relevância”, explica.
Segundo o executivo, a OX Bikes da Amazônia, com mais de 60 anos de atuação no mercado de duas rodas, foi pioneira na fabricação de bicicletas elétricas no Brasil e mantém fábrica própria em Manaus. Os modelos das marcas Oggi Bikes, StreetGo e YOO Mobility são comercializados em diferentes regiões do país, com rede de revendedores e oficinas, além de garantia, central de atendimento e pós-venda.
“Com o crescimento desse mercado, o consumidor precisa olhar não apenas para o produto que está comprando, mas para o que existe por trás dele. Ter engenharia, produção, assistência, garantia e uma rede preparada para manutenção faz diferença principalmente quando a bicicleta deixa de ser usada eventualmente e passa a fazer parte da rotina. Nosso trabalho é desenvolver produtos alinhados às regras brasileiras e oferecer suporte para que esse consumidor possa utilizar a e-bike ou o autopropelido com segurança e confiança no dia a dia”, afirma Peterle.