O diagnóstico climático da Via Raposo antecipa riscos na Raposo Tavares e reforça o planejamento da concessionária para os 285 quilômetros sob sua administração no interior paulista. O relatório mapeia ameaças ligadas a incêndios, erosão, escorregamentos e mudanças no regime de chuva, com projeções até 2100.
O estudo analisa o comportamento climático histórico desde 1985, incorpora dados de 2026 e considera diferentes cenários climáticos para as próximas décadas. A pesquisa abrange sete rodovias distribuídas por 13 municípios do sudoeste paulista e inclui ainda um corredor de 20 quilômetros no entorno das vias, que alcança 41 municípios.
Diagnóstico climático aponta trechos críticos e reforça prevenção
Entre os principais achados, o fogo aparece como um dos pontos de maior atenção. O levantamento identificou 60,3 quilômetros de rodovia em classes de densidade alta ou muito alta de focos de incêndio, além de oito trechos prioritários para prevenção em três municípios.
Em 2026, entre fevereiro e julho, a concessionária registrou 32 ocorrências de incêndio nas vias sob concessão. A maioria teve pequena extensão e permaneceu dentro da faixa de domínio, embora alguns focos tenham ultrapassado 500 metros.
O relatório também relaciona os incêndios aos períodos mais secos. No corredor analisado, os registros ficaram associados, em média, a apenas 9,2 milímetros de chuva acumulada nos sete dias anteriores e a uma elevada evapotranspiração potencial. Julho, agosto e setembro concentram historicamente a maior quantidade de focos de calor.
Com base nesse cenário, a Via Raposo vai instalar caixas d’água nas seis bases definitivas do Serviço de Atendimento ao Usuário, em construção, para abastecimento das unidades e apoio a ocorrências de combate a incêndios. As estruturas também contam com pluviômetros para monitoramento das chuvas.
Planejamento considera calor extremo, chuva intensa e erosão
A análise integrada classificou 55 subtrechos como de risco médio e dois como de risco alto, sem nenhum enquadrado como risco muito alto. Os trechos mais críticos ficam na SP-278, entre os km 379,110 e 379,540, em Ourinhos, principalmente pela elevada densidade de focos de incêndio, e na SP-270, entre os km 188,310 e 189,740, em Itapetininga, por causa da maior suscetibilidade à erodibilidade do solo.
O estudo ainda identificou 33,8 quilômetros em classe muito alta de erodibilidade e pontos específicos de atenção ligados à estabilidade do solo. Na faixa de domínio, o levantamento apontou 10 hectares com risco médio e quatro hectares com risco alto de escorregamento.
Na projeção para o futuro, o diagnóstico indica aumento das temperaturas máximas e da frequência de dias quentes. No cenário de emissões elevadas, a temperatura máxima anual projetada sobe de 37,5°C, no período de 2016 a 2040, para 42,6°C entre 2071 e 2100.
O relatório também aponta que o risco futuro não depende necessariamente de mais chuva no total, mas de precipitações mais concentradas em eventos intensos. No cenário mais severo, a precipitação acumulada em dias muito úmidos pode crescer 34%, enquanto a chuva máxima em um único dia pode aumentar 21%, o que pressiona drenagem e áreas suscetíveis à erosão.
“Conhecer o comportamento climático da região e identificar os pontos mais suscetíveis é fundamental para que a gestão da rodovia seja cada vez mais preventiva. O diagnóstico nos permite olhar para o sistema viário não apenas diante das condições atuais, mas também considerando os cenários futuros, contribuindo para o planejamento e para o aumento da resiliência da infraestrutura”, destaca Emídio Moraes, coordenador de Meio Ambiente da Via Raposo.
Segundo a concessionária, o estudo também prevê aprimoramento contínuo, com incorporação de dados de estações meteorológicas e fluviométricas, refinamento das projeções e desenvolvimento de medidas de adaptação para os trechos críticos. A proposta inclui ainda criação de indicadores e rotina de monitoramento e atualização dos riscos climáticos.
A Via Raposo administra a Rodovia Raposo Tavares (SP-270) no trecho entre Ourinhos e Itapetininga e outras vias no interior paulista, com previsão de R$ 5,8 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos.