Ônibus elétricos começam a abrir uma nova frente de investimentos no Brasil, e o debate já não se limita à compra dos veículos. Com R$ 10,6 bilhões previstos pelo Novo PAC para renovação e eletrificação de frotas, cidades e operadores também precisarão investir em energia, recarga e adaptação da infraestrutura urbana para transformar os recursos anunciados em operação efetiva.
Segundo o Ministério das Cidades, o programa selecionou 77 propostas em 61 municípios, com previsão de aquisição de 2.296 ônibus elétricos. A escala do projeto, portanto, coloca a infraestrutura de carregamento no centro da viabilidade técnica e econômica da transição.
Recarga entra na discussão sobre viabilidade operacional
Para a Electreon, empresa global especializada em recarga sem fio, a próxima etapa da eletrificação depende de integrar energia e operação. A companhia defende um modelo em que o fornecimento acompanhe a rotina dos veículos, em vez de ficar restrito às garagens e a longos períodos de parada.
“A eletrificação do transporte coletivo já é uma realidade. O próximo desafio é garantir que a infraestrutura acompanhe a operação. Nossa proposta é integrar a energia à jornada dos veículos para ampliar sua disponibilidade, aumentar a eficiência operacional e oferecer mais flexibilidade aos operadores de transporte e aos sistemas BRT”, afirma Ronen Avraham, diretor da Electreon para a América Latina.
Na avaliação da empresa, operadores e gestores públicos passam a enfrentar questões que vão além da autonomia dos veículos. Entre elas estão a disponibilidade da frota, o tempo dedicado às recargas, o dimensionamento das baterias, o uso da rede elétrica e a integração do carregamento à programação diária das linhas.
Por isso, a companhia argumenta que a infraestrutura passa a fazer parte da operação. Em vez de concentrar a energia em um único ponto, o sistema pode distribuí-la entre garagens, terminais, estações, pontos finais e trechos estratégicos da via, aumentando a flexibilidade e reduzindo a dependência exclusiva de recargas centralizadas.
Electreon leva tecnologias e experiências à Lat.Bus 2026
A discussão ganhará espaço na Lat.Bus 2026, entre 11 e 13 de agosto, no São Paulo Expo. A Electreon apresentará experiências internacionais e soluções para recarga estacionária, de oportunidade e dinâmica, com integração à rotina de sistemas de transporte coletivo e corredores BRT.
A plataforma da empresa reúne três configurações: Electreon DOT, para garagens, terminais, estações e pontos finais; Electreon DASH, para recargas durante paradas operacionais; e Electreon LINE, que permite o carregamento enquanto o veículo circula sobre trechos equipados da via. As modalidades podem atuar de forma integrada, conforme as necessidades de cada operação.
Além disso, o sistema é monitorado pela plataforma Electreon Flow, que acompanha em tempo real as sessões de recarga, o fluxo de energia, a posição dos veículos, o estado de carga das baterias, a disponibilidade dos equipamentos e o desempenho operacional da infraestrutura. Com isso, a empresa busca oferecer visibilidade para decisões sobre programação, consumo e gestão energética.
A tecnologia utiliza indução para transferir energia entre equipamentos instalados sob o pavimento e um receptor no veículo. Assim, o carregamento ocorre automaticamente, sem necessidade de cabos, quando o ônibus autorizado se posiciona sobre a infraestrutura ou percorre o trecho equipado.
Durante a programação técnica da ANTP e da UITP, Ronen Avraham participará de debates no Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Mobilidade Urbana, em 12 de agosto, e no fórum da UITP, em 13 de agosto, onde apresentará experiências internacionais e soluções voltadas à eficiência operacional e à disponibilidade de frota.
Em Trondheim, na Noruega, a Electreon já desenvolveu um projeto de recarga sem fio em rota para um ônibus elétrico de sistema BRT, com fornecimento de energia durante o movimento e nas paradas. Para a empresa, a experiência mostra que a infraestrutura pode acompanhar a operação e contribuir para ampliar a disponibilidade dos veículos em sistemas de alta demanda.
Mais do que uma solução tecnológica, a proposta da companhia mira uma nova arquitetura para o transporte coletivo, em que a energia deixe de estar concentrada em um único ponto e passe a acompanhar a lógica operacional das cidades.