O Move Brasil 2 deve aquecer a indústria brasileira de ônibus e ampliar a renovação de frota, especialmente nos segmentos rodoviário e de fretamento. A avaliação é de Alexandre Cervelin, gerente comercial para o Mercado Interno da Marcopolo, que vê no programa federal uma oportunidade para elevar os volumes de produção previstos para 2026.
Lançada no fim de abril pelo Governo Federal, a segunda fase do programa oferece até R$ 2 bilhões em créditos para a compra de veículos de transporte público de passageiros. Segundo Cervelin, as condições especiais de financiamento podem acelerar decisões de compra e reduzir o custo de aquisição para operadores.
Move Brasil 2 e a renovação da frota de ônibus
“Para os segmentos rodoviário e de fretamento, o programa estimula a renovação de frota por parte dos operadores e a perspectiva é de que possa aumentar os volumes em relação ao que estava previsto para este ano“, afirma o executivo.
Na avaliação da Marcopolo, o programa cria um ambiente mais favorável ao setor porque combina juros mais atrativos e maior acesso ao crédito. “Os recursos devem ser suficientes para um volume de mil a 1,3 mil ônibus, o que ajudará a destravar a renovação da frota de ônibus rodoviários no país, mas a demanda potencial estimada é de cerca de cerca de 1.000 veículos por mês”, completa Cervelin.
Dados da Fabus mostram que a produção de ônibus rodoviários e para fretamento destinada ao mercado nacional somou 5.257 unidades em 2025, abaixo da média histórica de cerca de 7,5 mil a 8 mil unidades registrada há uma década. O número reforça, portanto, o espaço para uma retomada mais forte da renovação da frota brasileira.
Critérios, financiamento e efeitos na cadeia produtiva
Para a Fabus, o programa representa uma conquista importante para o setor. “Estávamos trabalhando para incluir o ônibus no Move Brasil desde o ano passado, quando foi lançado o programa para caminhões. Esses R$ 2 bilhões exclusivamente para o setor do ônibus, com financiamento com taxas melhores do que as do mercado, permitirão movimentar toda a cadeia e renovar a frota de ônibus no Brasil”, destaca a entidade.
A segunda fase do programa soma R$ 21,2 bilhões em crédito, valor mais que o dobro do montante da etapa inicial, que girou em torno de R$ 10 bilhões. Do total, R$ 14,5 bilhões vêm do Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões, do BNDES.
Para acessar os recursos, os veículos precisam cumprir duas exigências principais: sustentabilidade, com respeito aos limites de emissão de poluentes, e origem nacional, com índices mínimos de fabricação no Brasil. O BNDES opera os recursos e segue as diretrizes definidas para o programa.
Além disso, o comprador pode obter condições melhores ao entregar um veículo antigo como parte da operação. Nesse caso, o ônibus usado precisa estar em condições de rodagem, ter licenciamento regular a partir de 2024 e mais de 20 anos de fabricação. Depois da transação, o proprietário deve comprovar o encaminhamento do veículo para reciclagem em até 180 dias.
As condições financeiras também já foram regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional. Os prazos chegam a 10 anos para pessoas físicas, com até 12 meses de carência, e a 5 anos para empresas, com até seis meses de carência. O valor máximo por financiamento é de R$ 50 milhões por cliente.
Fundada há 76 anos em Caxias do Sul (RS), a Marcopolo é líder na fabricação de carrocerias de ônibus no Brasil e uma das maiores do mundo. A empresa afirma que investe continuamente em tecnologia, design e inovação para avançar no transporte coletivo de passageiros.