O avanço da mobilidade ativa no Brasil registra crescimento expressivo, com aumento de 437% nas iniciativas relacionadas ao tema. Dados do Prêmio Bicicleta Brasil 2025, promovido pela Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, indicam que o número de projetos inscritos saltou de 81 em 2024 para 435 em 2025, abrangendo 25 estados e o Distrito Federal. Essa evolução demonstra que a bicicleta deixa de ser apenas uma opção de lazer para integrar soluções de mobilidade, saúde e inclusão social.
Mobilidade ativa impulsiona infraestrutura e projetos premiados
São Paulo destaca-se como o estado com maior número de iniciativas premiadas no Prêmio Bicicleta Brasil 2025, consolidando-se como referência no avanço da mobilidade ativa no país. Entre os projetos reconhecidos, a “Ciclovia do Rio Pinheiros – Termo de Adoção Doc Service” promove a revitalização e gestão contínua de um dos principais corredores cicloviários da capital, melhorando segurança, serviços e integração com outros modais. Em Maricá (RJ), o projeto “Pedalando pro Trabalho”, da Empresa Pública de Transportes (EPT), oferece bicicletas públicas gratuitas para facilitar o deslocamento diário e ampliar o acesso à mobilidade.
Mobilidade e inclusão social ampliam o papel da bicicleta
Além da mobilidade urbana, iniciativas ampliam o uso da bicicleta como ferramenta de inclusão social. Projetos voltados para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) demonstram como a bike promove autonomia, pertencimento e participação ativa nos espaços públicos. David Peterle, CEO da Oggi Bikes, destaca que a bicicleta deixa de ser vista como algo complementar e passa a ocupar espaço estratégico nas cidades, abrindo caminho para políticas públicas e desenvolvimento de soluções ligadas à mobilidade ativa.
O crescimento da demanda por soluções eficientes de deslocamento estimula o interesse por bicicletas urbanas, modelos elétricos e alternativas que facilitem a integração com o dia a dia. Segundo Peterle, a bicicleta resolve uma equação importante: melhora a mobilidade e contribui para a saúde. O incentivo das cidades ao uso da bike impulsiona o mercado com mais inovação e acessibilidade.
O avanço da mobilidade ativa também enfrenta desafios urbanos estruturais, como congestionamento, poluição e deterioração da qualidade de vida nas grandes cidades. Ao incentivar o uso da bicicleta, as cidades ampliam opções de deslocamento, reduzem a dependência de veículos motorizados, diminuem emissões e promovem uso mais eficiente do espaço urbano. Esse movimento impacta a saúde pública ao estimular a prática de atividade física integrada à rotina. “Quando a bicicleta entra na lógica da cidade, ela deixa de ser uma alternativa e passa a ser parte da solução”, conclui David Peterle.
A produção de bicicletas no Polo Industrial de Manaus (PIM) acompanha esse crescimento, com 32.107 unidades fabricadas em março, segundo levantamento da Abraciclo. O número representa alta de 10,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior e 33,1% em comparação com fevereiro, refletindo o fortalecimento do mercado diante da expansão da mobilidade ativa no país.

