O futuro das ferrovias no Brasil deixou de ser uma promessa para se consolidar como uma agenda efetiva. No Café com a Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (FRENLOGI), realizado em 29 de abril de 2026, governo, Congresso e setor produtivo alinharam-se em torno da necessidade de acelerar decisões para transformar o potencial ferroviário em expansão real da infraestrutura.
O futuro das ferrovias no Brasil e a prioridade do transporte sobre trilhos
A diretora-presidente da ANPTrilhos, Ana Patrizia Lira, representando operadores de metrôs, trens urbanos e VLTs, ressaltou que o transporte de passageiros sobre trilhos precisa ser prioridade nacional. Em 2025, o setor transportou cerca de 2,59 bilhões de passageiros, mas o crescimento permanece aquém do necessário. Ana Patrizia destacou a necessidade de políticas públicas que incentivem a expansão da rede e promovam a migração do transporte individual para o coletivo. Sem essas medidas, o avanço na escala requerida pelo país não ocorre.
Além disso, a dirigente enfatizou a importância do avanço do projeto de lei que institui o novo marco legal do transporte público coletivo, em tramitação no Congresso Nacional. Para a ANPTrilhos, a retomada de dispositivos que tratam das fontes de financiamento do setor é fundamental para viabilizar novos projetos. Ela afirmou que é preciso garantir fontes de receita estáveis e diversificadas, pois o transporte público só cresce com recursos adequados. A entidade conta com o apoio da Frente Parlamentar para assegurar a aprovação do texto e o fortalecimento do setor.
Investimentos e financiamento
A ANPTrilhos destacou também o avanço da agenda de transporte ferroviário regional, com a criação de instrumentos voltados à segurança jurídica e à atração de investimentos. O governo federal tem buscado alternativas de financiamento, incluindo receitas acessórias e modelos de exploração associados ao desenvolvimento urbano.
O debate reuniu representantes do setor público e privado, evidenciando uma convergência sobre a necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura ferroviária. Alessandro Baumgartner explicou que o aporte de recursos públicos deve ser visto como investimento em patrimônio coletivo, pois o investimento público em ferrovias gera infraestrutura que permanece como patrimônio público. O Estado participa da viabilização dos projetos, garantindo a entrega de ativos estratégicos para o país.
O secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, destacou o papel central do Congresso Nacional na viabilização do setor e apontou um ambiente mais favorável à expansão ferroviária nos últimos anos. Ele afirmou que existe convergência política em torno das ferrovias, com avanços em marcos legais e estruturação de uma carteira robusta de projetos. Segundo ele, o desenvolvimento do país depende de uma rede ferroviária eficiente, capaz de reduzir custos logísticos, emissões e desigualdades regionais.
O presidente da Frente Parlamentar Mista das Ferrovias, Pedro Uczai, reforçou a necessidade de articulação entre governo, Congresso e setor produtivo para acelerar investimentos e ampliar o papel das ferrovias no desenvolvimento nacional. Ele destacou que o Brasil vive um momento mais favorável, com avanços institucionais e maior segurança jurídica, mas é preciso pensar em novas estratégias para ampliar o financiamento, incluindo a atração de capital internacional e a estruturação de fundos voltados ao setor.
Por fim, os participantes concordaram que o desafio atual consiste em transformar esse cenário em projetos concretos e expansão efetiva da malha ferroviária. Para a ANPTrilhos, o caminho passa por decisão política, coordenação federativa e, sobretudo, pela implementação de um modelo de financiamento que permita ao transporte sobre trilhos assumir o papel estruturante que o Brasil demanda.
